Publicado 29/07/2025 22:11

A Bolívia convoca o encarregado de negócios do Peru depois que Boluarte chama o país de "país fracassado".

LIMA, 28 de julho de 2025 -- A presidente do Peru, Dina Boluarte (C), participa de uma cerimônia antes de entregar uma mensagem à nação para comemorar o 204º aniversário da Independência do Peru em Lima, Peru, em 28 de julho de 2025.
Europa Press/Contacto/Mariana Bazo

Lima afirma que essa é uma "interpretação errônea" das palavras de Boluarte, que estava se referindo à economia.

MADRID, 30 jul. (EUROPA PRESS) -

O governo boliviano convocou o encarregado de negócios do Peru, Carlos Montoya, na terça-feira, em protesto contra as recentes declarações feitas pela presidente peruana, Dina Boluarte, que descreveu o país vizinho como um Estado "fracassado".

O anúncio foi feito pelo número dois do Ministério das Relações Exteriores da Bolívia, Elmer Catarina, em uma coletiva de imprensa na qual ele expressou sua "rejeição" ao que considerou "declarações inadmissíveis" do presidente peruano.

Catarina fez alusão a um discurso à nação por ocasião do feriado bancário, no qual Boluarte afirmou que, se ela não tivesse assumido a presidência, o Peru teria se tornado um "país falido como Cuba, Bolívia e Venezuela". "O país estaria mergulhado em um vácuo de poder indesejado com graves consequências: eleições em meio à violência e um poder autoritário e improvisado para supostamente elaborar uma nova constituição, um pretexto para aqueles que são traidores da pátria; um país sem investimento, sem obras executadas, com mais pobreza", declarou Boluarte.

O vice-ministro boliviano também anunciou que havia convocado a encarregada de negócios da Bolívia no Peru, Eva Chuquimia, de quem ele espera "um relatório detalhado sobre a situação, porque não podemos aceitar esse tipo de declaração". "Somos dois países irmãos com um diálogo frutífero", acrescentou.

A resposta do Peru veio de seu ministro das Relações Exteriores, Elmer Schialer, que esclareceu que o que aconteceu foi uma "interpretação errônea" das palavras de Boluarte, assegurando que ela havia se referido às "filas e à escassez" nos três países.

"Eu vou ser sincero com vocês. Não podemos tapar o sol com um dedo. Não há nenhum 'mea culpa' a ser feito ali, o que o presidente (Boluarte) disse é o que estou apontando, e a verdade é que temos que analisar o contexto objetivo em que esses países também estão vivendo", disse ele à estação de rádio peruana RPP.

O chefe da diplomacia peruana disse que nesta quarta-feira, 30 de julho, receberá o encarregado de negócios da Bolívia "para esclarecer que (...) não estamos rompendo nenhuma aliança com a Bolívia". "Pelo contrário. O presidente (Boluarte) providenciou a presença de uma grande delegação no dia 6 de agosto, que é o Dia da Independência da Bolívia, e eles também estarão comemorando seu 200º aniversário. O Peru estará presente", acrescentou.

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