Publicado 04/07/2026 21:12

A Bolívia comemora a aprovação do Orçamento Geral do Estado por consenso, pondo fim a vinte anos de impasses políticos

Archivo - Arquivo - 20 de junho de 2025, São Petersburgo, Rússia: A bandeira nacional da Bolívia, tremulando ao vento em um mastro em São Petersburgo, Rússia.
Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov

MADRID 5 jul. (EUROPA PRESS) -

O ministro da Economia da Bolívia, José Gabriel Espinoza, comemorou neste sábado que a aprovação do projeto de lei de alterações ao Orçamento Geral do Estado (OGE) tenha sido consensual com a maioria da Assembleia, rompendo assim com vinte anos de bloqueios políticos, e afirmou que “as instituições se fortalecem quando o diálogo substitui a imposição”.

“Ontem, não só foi aprovado o PGE Reformulado 2026. Também demos um sinal importante sobre a forma como queremos tomar as decisões econômicas do país. Após muitos anos, a política fiscal voltou a ser debatida na Assembleia Legislativa. Houve divergências, argumentos e, finalmente, consensos”, afirmou o ministro em uma publicação em suas redes sociais.

O projeto de lei foi aprovado após algumas modificações e mais de cinco horas de exposição técnica, seguidas de um longo e intenso debate, com o apoio de mais de dois terços dos representantes do Congresso boliviano. A iniciativa foi encaminhada ao Senado para o respectivo tramite.

“As instituições se fortalecem quando o diálogo substitui a imposição e quando o interesse do país está acima das divergências. A confiança também se constrói assim”, destacou o político, que mencionou que, após quase duas décadas, foi possível estruturar e aprovar um orçamento por meio de consenso e acordos explícitos entre diferentes forças políticas.

Espinoza explicou que as modificações no Orçamento Geral do Estado permitirão “destinar mais recursos às prefeituras e governos estaduais”, além de “direcionar a economia gerada” pela redução dos gastos correntes não essenciais “para os setores de saúde, educação e segurança”.

O ministro, referindo-se aos governos anteriores da Bolívia, comparou esse processo com a forma como os orçamentos eram aprovados em mandatos anteriores e destacou que, nos últimos cinco anos, “nem sequer era apresentado e era aprovado por decreto”.

Dessa forma, ele considerou que o debate legislativo e o consenso alcançado representaram um avanço institucional, pelo que agradeceu às autoridades políticas por terem recuperado a institucionalidade do país, a qual “nunca deveria ter sido perdida”.

“Isso está marcando um marco fundamental, não apenas na mudança da gestão econômica do país, mas também na recuperação da institucionalidade”, acrescentou.

A Bolívia se recupera de meses intensos após sindicatos terem decretado uma greve por tempo indeterminado, seguida de bloqueios nas rodovias por todo o país, impulsionados por associações ligadas ao ex-presidente Evo Morales, que exigiam a renúncia do atual líder, Rodrigo Paz.

Durante os momentos mais críticos do protesto, foram registrados mais de uma centena de bloqueios espalhados por sete dos nove departamentos que compõem a Bolívia. Após várias tentativas frustradas de estabelecer um diálogo, finalmente, quando se completaram 50 dias de bloqueios, a Central Operária Boliviana (COB) e o governo chegaram a um acordo.

Horas depois disso, Paz decretou o estado de exceção para recorrer às Forças Armadas a fim de levantar esses bloqueios, que continuavam sendo liderados por grupos camponeses e aliados de Morales, o qual, três dias após a declaração de emergência, anunciou “uma pausa” nos bloqueios.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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