Publicado 23/06/2026 12:08

A Bolívia afirma que o fim dos bloqueios não se deve à generosidade de Morales, mas ao sofrimento do país

20 de junho de 2026, El Alto, Bolívia: EL ALTO, BOLÍVIA — 20 DE JUNHO DE 2026: Policiais e militares foram mobilizados por toda a cidade de El Alto após a declaração de um estado de exceção de 90 dias pelo presidente boliviano Rodrigo Paz. As forças de se
Carlos SáNchez Navas/Jna / Zuma Press / Europa Pre

MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) -

O ministro da Defesa da Bolívia, Ernesto Justiniano, declarou nesta terça-feira que a suspensão temporária dos bloqueios anunciada pelo ex-presidente Evo Morales não é um gesto de “generosidade”, mas sim motivada pela “pressão” e pelo “sofrimento” das famílias.

Trata-se da primeira reação do governo ao anúncio de Morales e seus aliados de suspender temporariamente os bloqueios, no quarto dia desde que foi decretado o estado de exceção e quando já se completam mais de 50 dias desde que foram estabelecidos em todo o país, em protesto contra o presidente Rodrigo Paz.

Justiniano destacou que conseguiu-se conter não o protesto, mas “um método de pressão que estava prejudicando milhões de bolivianos”. Nesse sentido, ele ressaltou que “trata-se de uma vitória do povo, daqueles que resistiram pacificamente e daqueles que queriam trabalhar”.

O ministro da Defesa boliviano ressaltou que, durante todas essas semanas, a população manifestou sua rejeição a essas medidas de pressão que afetaram gravemente o transporte e a mobilidade dos trabalhadores, bem como o abastecimento de produtos de primeira necessidade e o desenvolvimento econômico.

Após supervisionar os trabalhos de limpeza na rodovia que liga La Paz a Copacabana, ele advertiu que o ex-presidente Morales terá de responder perante a lei pelas declarações incentivando os bloqueios que vem fazendo nos últimos dias.

“O senhor Morales fez declarações que foram registradas pela imprensa. A lei deve agir e responsabilizar as pessoas que estiveram à frente desse tipo de situação que gerou violência e sofrimento para a população”, afirmou o ministro, conforme consta em comunicado do Ministério da Defesa.

Essas investigações não devem se concentrar apenas em Morales, disse ele, mas também contra esses “líderes de uma causa política”, “que financiaram essa situação que deixou a família boliviana sofrendo por tantos dias”.

Em declarações ao ‘El Deber’, Justiniano considera que esse desfecho “deixa todos os bolivianos satisfeitos” e que Morales e seus aliados também acabaram por compreender, “embora tenham sido os últimos”, “que não se pode fazer política à custa da pressão dos bloqueios, à custa do sofrimento do povo”.

CRÔNICA DOS PROTESTOS

Coincidindo com o Dia Internacional do Trabalhador, a Central Obrera Boliviana (COB), um dos maiores sindicatos do país, declarou uma greve geral por tempo indeterminado para reivindicar melhorias nas condições de trabalho e salariais, bem como medidas eficazes para lidar com a falta de divisas e combustível.

Alguns dias depois, grupos de camponeses de La Paz aderiram aos protestos, montando os primeiros bloqueios nas rodovias — uma medida de pressão que foi replicada por outros grupos, entre eles os mais próximos do ex-presidente Morales, em todo o país, fazendo suas essas reivindicações, bem como a renúncia de Paz.

Durante os momentos mais críticos do protesto, foram registrados mais de uma centena de bloqueios espalhados por sete dos nove departamentos que compõem a Bolívia. Após várias tentativas frustradas de estabelecer um diálogo, finalmente, quando se completaram 50 dias de bloqueios, a COB e o governo chegaram a um acordo.

Horas depois disso, Paz decretou o estado de exceção para recorrer às Forças Armadas a fim de levantar esses bloqueios, que continuavam sendo liderados pelos grupos camponeses e pelos aliados de Morales, o qual, três dias após a declaração de emergência, anunciou “uma pausa” nos bloqueios.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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