Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov
MADRID, 15 jul. (EUROPA PRESS) -
O Ministério das Relações Exteriores da Bolívia denunciou que até 16 cidadãos bolivianos poderiam estar atualmente em território russo após terem sido recrutados por meio de “ofertas de trabalho ou promessas econômicas” por canais não oficiais, acabando por participar da guerra declarada pelo Kremlin contra a Ucrânia.
“O Ministério das Relações Exteriores tomou conhecimento desses fatos a partir de pedidos de assistência feitos por familiares de cidadãos bolivianos que possivelmente se encontram na Rússia e que manifestam sua preocupação com a situação de seus entes queridos”, afirmou o vice-ministro de Gestão Consular e Institucional, Héctor Huanca, em declarações divulgadas pelo jornal “El Deber”.
Referindo-se às denúncias de que esses cidadãos teriam sido, na verdade, recrutados para participar da guerra, Huanca, que estimou o número em 16, destacou que o Ministério acionou imediatamente os protocolos de proteção e assistência consular por meio da Embaixada da Bolívia na Rússia, embora procurando manter a confidencialidade de cada caso a pedido dos familiares.
De qualquer forma, o funcionário do Ministério das Relações Exteriores alertou que tal recrutamento não teria sido realizado por autoridades oficiais russas, mas que as vítimas “teriam sido contatadas por supostos intermediários por meio de ofertas de trabalho ou promessas econômicas que não provinham de canais oficiais”.
Em virtude disso, os cidadãos em questão teriam viajado voluntariamente após assinarem contratos, os quais estão atualmente sendo investigados e que teriam acabado por levar à participação dessas pessoas na guerra.
No entanto, La Paz não dispõe, por enquanto, de “dados oficiais precisos sobre óbitos”. “Estamos aguardando uma resposta a uma nota oficial enviada pela Embaixada e, dessa forma, forneceremos informações responsáveis sobre o eventual falecimento de algum boliviano”, indicou.
De qualquer forma, Huanca, que ressaltou que “todas as diligências relativas a esse assunto serão realizadas pelos canais oficiais”, quis enfatizar que “a Bolívia mantém relações diplomáticas normais com a Federação da Rússia”.
RÚSSIA NEGA DISPOR OU TER CONHECIMENTO DE TAIS ESTRUTURAS
As autoridades russas, por sua vez, decidiram se pronunciar sobre este caso, embora tenham feito isso em resposta às informações divulgadas pela mídia boliviana antes de o vice-ministro ter feito as referidas declarações.
“Como é de conhecimento público, no conflito na Ucrânia participam, sob diferentes modalidades e condições, cidadãos estrangeiros provenientes de diversos países, incluindo cidadãos bolivianos”, afirmou a Embaixada da Rússia em La Paz em um comunicado no qual, em seguida, alegou que “inúmeros cidadãos bolivianos haviam se incorporado às fileiras das Forças Armadas da Ucrânia” e “muitos deles perderam a vida”.
Nesse sentido, a representação diplomática questionou “por que, ao longo de todos esses anos, a participação de cidadãos bolivianos nas hostilidades desencadeadas pelo regime de (o presidente ucraniano, Volodimir) Zelenski não suscitou questionamentos nem recebeu atenção comparável”.
De qualquer forma, após apontar a Ucrânia, a missão diplomática russa assegurou que “descarta categoricamente qualquer vínculo desta missão diplomática com o suposto recrutamento de cidadãos do Estado Plurinacional da Bolívia para participar da operação militar especial e rejeita categoricamente as acusações formuladas a esse respeito, por carecerem de qualquer fundamento”.
“Da mesma forma, esta Missão Diplomática destaca inequivocamente que não mantém qualquer vínculo com as supostas atividades de organizações ou pessoas que supostamente se dedicariam ao recrutamento para tais fins, nem dispõe de informações sobre a existência de tais estruturas”, argumentou.
Nesse sentido, afirmou que “não está em condições de prestar assistência, assessoria ou orientação sobre essa questão” aos “cidadãos bolivianos” que fizeram consultas a esse respeito à Embaixada, embora tenha manifestado sua “total disposição para prestar, dentro do âmbito de suas competências, toda a colaboração pertinente para o esclarecimento do assunto”, desde que “os pedidos correspondentes sejam formulados pelos canais oficiais e encaminhados por meio do Ministério das Relações Exteriores” boliviano.
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