Carlos Luján - Europa Press
MADRID, 22 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro da Presidência, Justiça e Relações com os Poderes Legislativos, Félix Bolaños, considera que o Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ), que se reúne nesta segunda-feira para debater a abertura de um processo contra o juiz Juan Carlos Peinado, pode aplicar uma “medida disciplinar” se assim o “entender”, pois, em sua opinião, é preciso zelar pelo “correto funcionamento” e pelo “bom nome” da Justiça espanhola.
Em entrevista à “Cadena Ser”, divulgada pela Europa Press, ele lembrou que o CGPJ deve resolver as queixas que surgiram no seio do corpo de juízes e defendeu que se cumpra o que “diz a lei”, embora tenha preferido não se “inmiscuir” mais na decisão que deverá ser tomada pelo Poder Judiciário.
Para o ministro, a investigação do juiz Peinado “está prejudicando a imagem da justiça”, uma opinião que, segundo ele, tem sido “transversal” em diferentes esferas ideológicas devido às críticas recebidas pela última decisão judicial contra a esposa do presidente do Governo, Begoña Gómez.
Segundo Bolaños, com “dados objetivos que ninguém pode contestar”, na instrução de Peinado “houve 15 decisões de revogação da Audiencia Provincial” e “meia dúzia de denúncias e reclamações perante o Conselho Geral do Poder Judiciário”, além de ações judiciais movidas pelo juiz contra jornalistas e políticos “para que não expressem livremente sua opinião sobre o que tem sido este processo”.
PROCESSO ANÔMALA
“Portanto, que estamos diante de um processo absolutamente anômalo, acredito que seja indiscutível. É absolutamente indiscutível”, insistiu o ministro, que também se recusou a afirmar que há juízes que cometem prevaricação na Espanha, pois, em sua opinião, “uma má prática não afeta o sistema judicial espanhol como um todo”.
Bolaños, no entanto, destacou que o juiz Peinado “proferiu decisões incompreensíveis aos olhos da população e distantes do direito”, embora tenha explicado que, quando há “uma decisão que é injusta”, o sistema de garantias do Estado de Direito “o que deve fazer é corrigi-la”.
“Quero demonstrar confiança de que essas decisões judiciais serão revogadas por órgãos superiores e quero demonstrar confiança na justiça do nosso país”, concluiu.
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