Francisco J. Olmo - Europa Press - Arquivo
HUELVA 12 mar. (EUROPA PRESS) - O bispo de Huelva, Santiago Gómez Sierra, divulgou, por ocasião do tempo litúrgico da Quaresma, uma carta pastoral intitulada “A imigração em Huelva: acolher com o coração e preservar a identidade”, na qual, diante dessa “realidade”, lembra que as instituições públicas, as empresas e as famílias empregadoras “compartilham a responsabilidade de garantir condições de trabalho justas para os trabalhadores imigrantes”, evitando “qualquer forma de exploração e respeitando plenamente os direitos reconhecidos pela legislação vigente”.
Segundo indicou o Bispado em uma nota, esta carta é dirigida tanto à comunidade cristã como ao conjunto da sociedade, e nela o bispo reflete sobre os “desafios” que colocam os atuais fluxos migratórios. No documento, o prelado aborda “como viver a dimensão universal do amor cristão e da solidariedade” num contexto marcado pela “crescente mobilidade das pessoas” e pela presença “cada vez maior” de população estrangeira na província.
De acordo com os dados citados na carta, na província de Huelva residem “cerca de 70.000 imigrantes”, o que representa aproximadamente 13% da população total, porcentagem que “em alguns municípios chega a cerca de 35%”. A isso, acrescenta, somam-se “cerca de 17.000 trabalhadores que chegaram na atual campanha” da morango e dos frutos vermelhos através do sistema de contratação na origem, um mecanismo que facilita uma migração legal, “ordenada e segura”.
A diocese destaca que, através do Secretariado Diocesano de Migrações, juntamente com a Cáritas Diocesana de Huelva e as Cáritas paroquiais, desenvolve diversas iniciativas destinadas a “acolher, proteger, promover e integrar” as pessoas que chegam à província.
Em sua reflexão, Gómez Sierra coloca a “dignidade” da pessoa humana como “fundamento” de “qualquer abordagem sobre a imigração”, sublinhando que essa dignidade “exige respeito e proteção, independentemente da origem, cultura ou condição social de cada pessoa”. Ao mesmo tempo, a carta salienta que o respeito pela dignidade humana implica também “o reconhecimento da identidade cultural dos povos”. Neste sentido, o bispo afirma que a abertura solidária para com aqueles que chegam “deve ser acompanhada pelo cuidado e pela valorização da própria cultura e do patrimônio espiritual e moral da sociedade de acolhimento”. O documento reconhece igualmente que os processos de integração “nem sempre são fáceis”, especialmente quando existem diferenças culturais, religiosas ou sociais “significativas” ou quando a população imigrante se concentra “em zonas mais empobrecidas e marginais das cidades e vilas”, uma situação que, segundo ele, gera “preocupação crescente em grande parte da sociedade”.
Nesse contexto, o bispo sublinha a necessidade de “abordar com serenidade” o debate sobre “os limites da capacidade de acolhimento das sociedades receptoras”. Para isso, ele lembra “o ensinamento do Catecismo da Igreja Católica”, que “reconhece tanto o dever das nações mais prósperas de acolher aqueles que buscam melhores condições de vida quanto o direito dos Estados de regular os fluxos migratórios atendendo ao bem comum”.
Gómez Sierra destaca ainda que uma integração “autêntica” requer “responsabilidades compartilhadas”. “Por um lado, as sociedades de acolhimento devem proteger a dignidade e os direitos dos imigrantes e favorecer sua integração; por outro, aqueles que chegam devem respeitar as leis do país que os acolhe, valorizar seu patrimônio cultural e contribuir para o bem comum por meio de seu trabalho e participação social”, afirma.
A carta também aborda o chamado “direito de não emigrar”, lembrado por Bento XVI, e faz eco das exortações dos bispos africanos que incentivam os jovens a “não abandonar seus países”. Este princípio, indica o documento, implica “promover o desenvolvimento e as oportunidades nos locais de origem para evitar migrações forçadas pela necessidade”. A carta pastoral conclui com um “convite aos cristãos e a toda a sociedade” para enfrentar os “desafios” da imigração com “caridade, verdade e justiça”.
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