Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID, 20 jun. (EUROPA PRESS) -
A porta-voz do Bildu no Congresso, Mertxe Aizpurua, continua apostando em eleições gerais em 2027 e, inclusive, não veria mal em fazer com que essas eleições coincidissem com as regionais e municipais previstas para maio, mas se recusa a usar os casos de corrupção que afetam o governo, o PSOE e o círculo familiar do presidente Pedro Sánchez “como desculpa para abrir as portas à alternativa de um governo do PP e do Vox”.
É o que ela explica em uma entrevista concedida ao programa ‘Parlamento’ da Rádio Nacional, na qual também antecipa que seu partido exigirá a inclusão de medidas relacionadas à habitação no decreto-lei que o governo prevê aprovar no próximo dia 29, com auxílios fiscais e econômicos para enfrentar os efeitos do conflito internacional decorrente da guerra entre o Irã, os Estados Unidos e Israel.
Na entrevista, divulgada pela Europa Press, a porta-voz da coalizão abertzale detalha que o governo ainda não entrou em contato com eles para discutir o projeto de Orçamento para 2027, mas ressalta que as contas públicas são “uma ferramenta política que deve ser aproveitada”.
“Acreditamos que essa partida deve ser jogada”, argumenta ela, ressaltando que o Bildu negociará com base em suas prioridades, mesmo sabendo que esse Orçamento pode não ser aprovado. De qualquer forma, ela defende que, mesmo que haja uma mudança de governo, é sempre melhor que haja um orçamento, “que proteja a maioria social e os setores mais vulneráveis”, do que não haver nenhum. “Reconheço que parece difícil que sejam aprovados, mas acho que é preciso pelo menos tentar”, acrescenta.
SEM O ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO, “A RESPOSTA LÓGICA” É A DISSOLUÇÃO
Questionada se acredita que Sánchez tentou “agradar” o PNV ao abrir a porta para eleições antecipadas caso não consiga aprovar o orçamento, como exigiram os nacionalistas bascos, Aizpurua responde que isso deveria ser respondido pelo presidente e acrescenta que, seja como for, a “resposta lógica” a uma nova rejeição do Orçamento é a dissolução do Parlamento.
Sobre outra das reivindicações do PNV, de que não haja um “superdomingo” eleitoral com eleições gerais, regionais e municipais, a porta-voz do Bildu confessa que seu partido não se “importa” que todas as eleições coincidam: “Na verdade, estamos muito tranquilos e, sinceramente, não teríamos nos importado com a questão do ‘superdomingo’”.
O que ela tem claro é que as investigações sobre casos de corrupção no meio socialista não devem ser utilizadas “como desculpa” para “abrir as portas à alternativa de um governo do PP com o Vox”.
“Sabemos que a situação política é muito complexa e, justamente por causa dessa complexidade, acredito que seja preciso aumentar o nível de responsabilidade, bem como o de prudência e o de exigência”, destaca Aizpurua, para quem a corrupção é “sistêmica” no Estado espanhol.
“Estamos imersos em uma série de casos que vêm à tona dia após dia, em uma espécie de capítulo interminável. A corrupção deve sempre ser combatida de todas as formas possíveis, com muita firmeza, com muita transparência e também com a exigência de responsabilização e que essas responsabilidades sejam efetivamente cumpridas. É um assunto muito sério, mas não podemos permitir que isso seja usado como desculpa para abrir as portas a uma aliança do PP com o Vox”, ressalta.
SÁNCHEZ TERÁ DADOS PARA CONFIAR EM ZAPATERO
Nesse contexto, ela ressalta que o Bildu defende duas coisas compatíveis: “A máxima exigência democrática contra a corrupção e a máxima responsabilidade também para não entregar o campo de jogo ao bloco reacionário”.
Questionada sobre o caso específico do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, Aizpurua aponta que se chegou a um ponto em que “já é muito difícil distinguir o que é verdade e o que é ficção”, mas interpreta que, se Sánchez continuar confiando publicamente na inocência de seu colega de partido, será porque “tem informações que lhe permitem defendê-lo da maneira como tem feito”.
De qualquer forma, ela insiste que é necessário “agir contra o nepotismo, o favoritismo e o uso das instituições para interesses privados”, mas adverte que isso não virá “das mãos da direita”.
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