Francisco J. Olmo - Europa Press
BERROCAL (HUELVA), 24 (EUROPA PRESS)
A Câmara Municipal de Berrocal (Huelva) aprovou nesta segunda-feira, em uma sessão extraordinária, a solicitação para que o município seja declarado Zona Gravemente Afetada por uma Emergência de Proteção Civil — popularmente conhecida como “zona catastrófica” ——, bem como a declaração de desastre natural com impacto especial no potencial produtivo agrícola, após o incêndio florestal de Niebla que afetou gravemente o município.
Além disso, em declarações à imprensa antes do início da sessão plenária, o prefeito de Berrocal, Ángel Luis Romero, em nome da Câmara Municipal, fez um apelo “desesperado” à “unidade de ação” de todas as administrações públicas —Governo central, Junta da Andaluzia e Câmara Provincial de Huelva— e da sociedade civil para articular um resgate integral do município, alertando que a localidade se encontra em uma situação “crítica” e instando à implementação de ações de regeneração e dinamização socioeconômica.
A iniciativa surge após o incêndio ter sido declarado extinto, no último sábado, 21 de agosto, após 15 dias ativo, o incêndio florestal que se iniciou em 6 de agosto na área de Raboconejo, em Niebla, e que queimou 33.000 hectares, dos quais grande parte se situava nos arredores deste município de Huelva.
“Como já repetimos inúmeras vezes, o verdadeiro drama começa quando as chamas se apagam”, afirmou o prefeito. O vereador insistiu que as medidas aprovadas representam um “SOS” unânime de toda a população de Berrocal: “Hoje somos sete vereadores que subimos ao plenário para dizer isso, mas aqui está todo o povo pedindo a mesma coisa. Se as chamas destruíram tudo, está realmente nas mãos das autoridades e da população que possamos ter algum futuro. Todos precisam se mobilizar”, enfatizou.
PEDIDOS
Na proposta aprovada, estão definidas três vias de auxílio institucional: o pedido ao Ministério do Interior/Governo central para a declaração de zona de catástrofe; o pedido à Junta da Andaluzia para a declaração de desastre natural com foco no setor produtivo agrícola e florestal; e a solicitação à Câmara Provincial de Huelva de “todo o apoio técnico e humano possível” para suprir a falta de recursos própria deste pequeno município.
Entre as ações prioritárias exigidas com caráter “imediato” para conter a catástrofe ambiental, a Prefeitura insta à execução de obras de correção no local para “conter a perda de solo, frear a contaminação dos aquíferos subterrâneos e restaurar a cobertura vegetal danificada”.
REDUÇÃO DO EUCALIPTO
No plano de ação para a restauração ambiental, a Câmara Municipal de Berrocal incluiu como ponto relevante a decisão de reduzir progressivamente o cultivo de eucalipto no município, promovendo, em seu lugar, o reflorestamento com espécies nativas produtivas, como sobreiros, pinheiros-mansos, carvalhos-negros e algarrobos.
“Se já estávamos à beira da morte devido ao despovoamento, se não trabalharmos em prol de um futuro a curto, médio e longo prazo, não vai sobrar aqui nem mesmo o assistente de palco; não vai sobrar nem mesmo para entregar as chaves”, afirmou.
Para evitar o abandono definitivo do município, o governo local insta as autoridades a cofinanciar e impulsionar projetos que gerem um tecido produtivo local. Como proposta inicial a ser estudada, a prefeitura cogita a implantação de um grande viveiro florestal municipal que permita fixar a população e criar empregos diretos durante a fase de reconstrução. “Precisamos que nos ensinem a pescar e que nos acompanhem nesse processo”, pediu.
O ANTECEDENTE DE 2004
O prefeito lembrou que o fator tempo é “crucial”, uma vez que o decreto-quadro estabelece um prazo de um mês a partir da declaração oficial de extinção do incêndio para que tanto particulares quanto entidades locais apresentem seus pedidos de auxílio. “Com os recursos de que dispomos nesta Prefeitura, não somos capazes de administrar isso sozinhos”, admitiu ele, exigindo agilidade e reforço institucional.
Nesse sentido, o prefeito relembrou o grande incêndio florestal de 2004 na região, quando foram firmados cerca de 300 acordos público-privados com os afetados. “As pessoas viram seu sustento econômico, seu álbum de fotos, sua essência serem consumidos pelo fogo. Não temos muito tempo para lamentar nossas perdas; o trabalho é a saúde e precisamos começar a trabalhar já”, concluiu.
APOIO DAS CIDADES DA REGIÃO
Os moradores de Berrocal não estiveram sozinhos nesta segunda-feira. À população presente na Praça da Andaluzia da cidade juntaram-se representantes municipais de outras cidades vizinhas.
Assim, da Prefeitura de Minas de Riotinto, estiveram presentes alguns vereadores para demonstrar “todo o apoio e solidariedade” de sua cidade ao município vizinho “após as graves consequências causadas pelo incêndio florestal de Niebla”.
“De Riotinto, queremos transmitir nosso apoio a essa reivindicação e acompanhar Berrocal na defesa de seu presente e, acima de tudo, de seu futuro. Berrocal não está sozinho. Riotinto está ao seu lado”, destacaram as autoridades municipais em suas redes sociais.
Por sua vez, a Prefeitura de Nerva destacou que “Berrocal voltou a sentir, nesta segunda-feira, o apoio de toda a Bacia Mineira”, e Nerva também esteve presente para “juntar sua voz” a uma reivindicação que considera “justa e necessária”. Por isso, uma delegação do município, liderada por seu prefeito, Josema Domínguez, deslocou-se até Berrocal.
A Prefeitura de Nerva destacou que a recuperação de um município “tão duramente atingido” precisa do apoio das autoridades e “de todos os recursos que permitam enfrentar os danos sofridos e começar a olhar para frente”.
“Da Prefeitura de Nerva, reiteramos nosso carinho, solidariedade e apoio a Berrocal e a todos os seus moradores. Continuaremos ao lado deles no caminho rumo à recuperação após um dos episódios mais difíceis vividos em nossa região”, afirmou a Prefeitura de Nerva.
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