Publicado 12/02/2026 16:10

A Bélgica acalma o conflito com a Espanha e garante que não pretendia impor a sua vontade na reunião prévia.

O primeiro-ministro da Bélgica, Bart de Wever, em declarações à imprensa ao término de uma cúpula informal de líderes da UE.
ALEXANDROS MICHAILIDIS /EUROPEAN COUNCIL

Esta contra-cúpula incomoda a Costa e outros países que pedem unidade diante de encontros de pequenos grupos ALDEN BIESEN (BÉLGICA), 12 (EUROPA PRESS)

O primeiro-ministro da Bélgica, Bart de Wever, tentou diminuir a tensão com a Espanha, que se queixou da realização de uma reunião de líderes europeus antes da cúpula informal de 27 desta quinta-feira na Bélgica, garantindo que todos estavam convidados e que os participantes não tinham a intenção de impor sua vontade aos demais.

Em declarações à imprensa no final do retiro organizado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, no castelo de Alden Biesen, ele garantiu que todos os Estados-membros podiam participar da reunião de coordenação realizada na manhã desta quinta-feira, antes do início oficial da cúpula, patrocinada pela própria Bélgica, Itália e Alemanha.

Sánchez não compareceu a esta reunião — na qual participaram cerca de vinte líderes, incluindo o francês Emmanuel Macron e a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen — e a Espanha transmitiu seu descontentamento à Itália por promover iniciativas deste tipo porque, afirmaram, “minam” os valores europeus e prejudicam a adoção de acordos em vez de os favorecer.

Apesar de a Alemanha e a Bélgica também terem impulsionado este encontro, a Espanha apenas transmitiu a sua queixa à Itália — embora Sánchez não a tenha comunicado diretamente à sua homóloga Giorgia Meloni, apesar de ambos terem conversado, segundo fontes do governo italiano à Europa Press —, mas sim por outra via que nenhuma das partes especificou.

Assim, ao final da cúpula, o primeiro-ministro belga tentou amenizar o conflito, garantindo que não queriam dar a impressão de que buscavam impor sua visão aos demais países que, como a Espanha, não compareceram.

Segundo ele, este tipo de encontros costuma ser mais restrito e, no máximo, conta com a participação de uma dezena de líderes, mas, nesta ocasião, o encontro foi mais numeroso e contou com a presença da maioria dos Estados-membros, 19 no total, além de Von der Leyen.

Devido a esta grande afluência, De Wever admitiu que não foi um gesto “elegante” para com os restantes, mas deixou claro que não pretendiam organizar uma contra-cimeira que pudesse ofuscar a reunião posterior. “Não queremos dar a sensação de que há um grupo de países que quer impor a sua vontade a outros, como a Espanha. Essa não era a intenção”, afirmou em declarações à imprensa à saída. OUTROS AUSENTES

A reunião prévia, que os organizadores tentaram minimizar na véspera como um encontro “de coordenação” e pediram para não se falar em “pré-cúpula”, também incomodou outros participantes da reunião posterior dos 27 no castelo de Alden Biesen (Bélgica), perto da fronteira com os Países Baixos, incluindo o presidente do Conselho Europeu, anfitrião da cúpula.

Merz, Meloni e De Wever estavam cientes do mal-estar gerado após conversarem sobre o assunto com Costa e ouvirem que, para impulsionar a agenda de competitividade, motivo do encontro inicial, é necessário contar com um consenso que demonstre unidade.

Aos olhos do presidente do Conselho e de outros mandatários ausentes na pré-cúpula — que, apesar de tudo, contou com o apoio da presença de von der Leyen —, o local adequado para alcançar essa unidade é o Conselho Europeu e não pequenos grupos, cujos movimentos paralelos podem ser contraproducentes.

De todo modo, as declarações daqueles que se manifestaram no final do dia foram conciliatórias e ressaltaram a determinação de manter o bloco unido, embora parte do debate tenha girado em torno da ideia de abrir espaço para uma “Europa de duas velocidades” se os 27 não conseguirem, neste semestre, dar passos concretos para impulsionar a competitividade europeia. A IRLANDA TAMBÉM NÃO FOI CONVIDADA

O presidente irlandês, Micheál Martin, por sua vez, explicou que também não foi convidado para a pré-cúpula, embora tenha considerado que não era apropriado convocar essa reunião no mesmo dia em que Costa previa uma “longa jornada” para debater os mesmos assuntos. “Não entendo a necessidade (da reunião prévia), embora também tenhamos organizado outras em diferentes cúpulas. Mas hoje, para ser justo com o presidente Costa e com a presidente Von der Leyen, é o dia deles e estavam ansiosos por dedicar um dia inteiro a debater a concorrência”, afirmou o líder da Irlanda.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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