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O primeiro-ministro francês adverte que o resultado da votação não "apaga a realidade" de um país em perigo vital
MADRID, 8 set. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da França, François Bayrou, lançou um último apelo nesta segunda-feira para tentar ganhar apoio para a questão da confiança que ele mesmo promoveu, reconhecendo, no entanto, que a queda do governo já era "irrevogável" desde o momento em que ele anunciou a votação e alertando que, independentemente das diferenças políticas, todos os partidos devem entender que "o prognóstico vital (do país) está em perigo".
"Optei por me dirigir a vocês como se o destino não estivesse escrito, como se a resposta da Assembleia Nacional (...) não tivesse sido anunciada por todos", disse Bayrou, ciente de que está vivendo o que parecem ser suas últimas horas no cargo, já que os números não lhe são favoráveis.
Contudo, "o maior risco era não correr nenhum risco, deixar as coisas continuarem como estão sem mudar nada", explicou Bayrou, alertando que essa doutrina também envolve assumir que, em algum momento, a situação econômica já seria "irreparável". "Não se trata de uma questão política, mas sim de uma questão histórica", acrescentou.
O principal temor de Bayrou gira em torno da economia, em um país que "não tem um orçamento equilibrado há 55 anos". Desde então, advertiu, "as despesas estão aumentando, os déficits são recorrentes e as dívidas estão se acumulando", um cenário que o governo espera combater com um plano de cortes de cerca de 44 bilhões de euros, criticado tanto pela esquerda quanto pela extrema direita.
Bayrou, que reconheceu que seu plano exige "esforços moderados", espera que a França reduza seu déficit público para 3% até 2029, "o limite no qual a dívida não aumenta mais" e o país pode então aproveitar todo o seu potencial. Em sua opinião, a França é "uma catedral magnífica que precisa ser reconstruída para um povo que a merece".
Nesse sentido, ele lamentou que os jovens se sintam "a geração sacrificada" e pediu para libertá-los da "escravidão", em uma apresentação com momentos de tensão, interrompida em várias ocasiões por gritos das bancadas da oposição que até forçaram Bayrou a interromper seu discurso.
MENSAGENS PARA A OPOSIÇÃO
O chefe de governo evitou se referir diretamente aos diferentes partidos, embora tenha atacado as ideias que veem os imigrantes estrangeiros como "a causa de tudo" ou aquelas que se limitam a dizer que "os ricos é que devem pagar", em alusões veladas aos dois extremos do espectro político.
No entanto, ele admitiu a necessidade de "otimização fiscal" que faria com que "rendas e patrimônios muito altos participassem especificamente do esforço nacional" e abriu a porta para a redução do Auxílio Médico Estatal (AME), como a esquerda e a extrema-direita, respectivamente, pediram nos últimos dias.
Além disso, em uma última tentativa de ganhar apoio e salvar a "queda irrevogável", ele apelou para a "consciência pessoal" dos deputados, para o direito "pessoal" de voto de todos eles, para que não sigam as linhas estabelecidas por seus partidos.
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