Publicado 10/06/2026 07:30

Barbón alerta a esquerda de que a fragmentação em “múltiplos grupinhos” facilita o governo da direita

O presidente do Principado, Adrián Barbón, durante a sessão plenária desta quarta-feira na JGPA.
ARMANDO ALVAREZ

OVIEDO 10 jun. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Principado das Astúrias, Adrián Barbón (PSOE), afirma que o único caminho para a esquerda evitar que “a extrema direita” governe na comunidade autônoma é por meio da aplicação de “políticas úteis”. “Como se pode conter a involução? Agindo unidos. Se a esquerda se fragmentar em múltiplos grupinhos, esse é o melhor caminho para que a extrema direita e a direita radical governem juntas”, afirmou.

Foi o que ele declarou durante a sessão plenária da Assembleia Geral do Principado, no turno de perguntas ao presidente, em resposta à deputada do Grupo Misto Covadonga Tomé. Barbón respondeu à deputada, que o questionou sobre as medidas que ele pretende adotar no que resta da legislatura para conter um possível Executivo de direita nas Astúrias.

Por sua vez, Tomé replicou ao presidente, alertando que o freio à direita não se constrói “a partir do medo”, mas sim a partir da apresentação de soluções reais e de uma “transparência absoluta”. Tomé criticou as “medidas tímidas e ambíguas” do governo regional em matéria de habitação por “medo de entrar em conflito com os interesses do rentismo e dos fundos de investimento”, e pediu coragem para aplicar a Lei da Habitação, declarar zonas de tensão e punir o “assédio” imobiliário. Da mesma forma, reclamou melhorias na atenção primária e um mapa detalhado dos recursos para a saúde mental.

Embora a deputada tenha manifestado compartilhar desse objetivo e concordado que as novas opções conservadoras representam “a direita de sempre fazendo seu trabalho de sempre, que é defender os ricos”, ela alertou para a necessidade de evitar “que muitos pobres também os apoiem”. Para conseguir isso, Tomé exigiu passar das declarações de intenções para medidas concretas, enfatizando que a maioria social está esperando respostas nas ruas.

O presidente asturiano destacou que “uma esquerda que seja inútil e que se limite ao dogma não serve absolutamente para nada”, argumentando que, atualmente, é necessário chegar à cidadania com propostas concretas, pois a sociedade “já não está ideologizada como há anos”.

Nesse sentido, ele citou como exemplo a gratuidade dos estudos universitários e dos mestrados que começará a ser aplicada na região, um compromisso que, segundo ele lembrou, foi acordado no orçamento das Astúrias junto com a Convocatoria por Asturias e a própria Tomé. “As Astúrias oferecem ensino gratuito e traçam o caminho das políticas públicas”, destacou.

O líder socialista defendeu o combate ao “medo que eles incitam” por meio de um apelo à “esperança” e à utilidade da gestão pública. “Um projeto de maioria social não se constrói a partir do medo, sem dúvida, nem a partir do ódio, sem dúvida, mas também não se constrói a partir do dogma. E isso tem que ficar bem claro. Nem dirigindo-se a minorias”, argumentou.

O presidente repreendeu Tomé pelo fato de que, em 2023, “apenas a FSA alertava para o risco que representava a soma da direita e da extrema direita”, enquanto ela o acusava de exagerar para apelar ao voto útil. “Você, como candidata, dizia que era mentira. Você, como candidata no debate, assim como o senhor Zapico, dizia que eu exagerava. Dizia que eu exagerava”, destacou.

O líder socialista asturiano destacou a necessidade de “potenciar ainda mais o foco nas classes médias” na ação política e tributária, após reconhecer abertamente que “há uma parte da classe média que não se sente representada”.

Barbón transmitiu uma “reflexão” dirigida ao conjunto das forças de esquerda sobre a necessidade de agir com “unidade”. “Como se pode frear a involução? Agindo unidos. Se a esquerda se fragmentar em múltiplos fragmentos, esse é o melhor caminho para que a extrema direita e a direita radical governem juntas”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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