Marta Fernández - Europa Press
MADRID, 24 jun. (EUROPA PRESS) -
O ex-presidente do Governo e presidente da Fundação FAES, José María Aznar, criticou nesta quarta-feira o governo de Pedro Sánchez por “se gabar de incompetência” em vez de assumir responsabilidades pelas condenações do ex-procurador-geral do Estado Álvaro García Ortiz e do ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, das quais se esquivam alegando que “não se sabe, não se responde”.
Foi o que afirmou o membro do Partido Popular durante as jornadas “Governança e provisão de bens públicos globais em um mundo fragmentado”, organizadas pelo Clube de Madri, nas quais ele também deixou escapar que o governo “vira as costas aos costumes parlamentares”.
Nesse sentido, ele criticou o fato de o Executivo ter retirado competências do Senado, ter transformado a “arbitrariedade” em rotina e atribuiu a ele o “desmantelamento gradual e progressivo dos contrapesos institucionais”.
Nesse contexto, ele opinou que “os governos empenhados em colocar os cidadãos uns contra os outros acabam sendo, necessariamente, uma fonte de desordem e de pesar”, o que ele identifica na Espanha atual, que considera que “não funciona nem economicamente nem politicamente”.
Assim, ele pediu que sejam defendidos os órgãos que agora estão sujeitos a um “coma orçamentário e a uma espécie de eutanásia do Parlamento”, já que considera que eles são “uma garantia contra a incompetência e a desonestidade política”
O FIM DA NOVA ORDEM MUNDIAL POR CAUSA DA “EUROPA PREGUIÇOSA”
Dito isso, ele alertou que os sistemas democráticos estão sendo abertamente questionados pelas “autocracias e pelos populismos”, o que levou a que a “velha ordem mundial” esteja chegando ao fim.
Além disso, ele acusou a Europa de preguiça e de “transferir para terceiros” suas responsabilidades em matéria de segurança e defesa, o que levou a que agora haja “realidades desagradáveis”, entre as quais se destaca a invasão russa da Ucrânia.
“Porque nós escolhemos o conforto. Renunciamos ao esforço, à inovação, ao risco, a todas as condições que tornam a liberdade possível”, afirmou ao explicar que a ascensão da China como potência econômica fez com que o peso da Europa na riqueza mundial “tenha sido reduzido pela metade”.
Além disso, acrescentou que a segurança coletiva é “outro enorme desafio”, cujo horizonte ele vê “progressivamente obscurecido” no que diz respeito à relação entre as potências da OTAN.
DISSERAM “MUITA PORCARIA” AOS JOVENS
Diante disso, ele acrescentou que as “tentativas de enfrentar os desafios importantes são obstruídas por uma combinação de cinismo absurdo e partidarismo estreito” e criticou o fato de os líderes apresentarem uma “vulgar autoindulgência disfarçada de energia”.
“Se dissermos aos nossos líderes que queremos entretenimento, não podemos nos surpreender se eles se comportarem como palhaços”, retrucou Aznar a respeito disso. Além disso, ele afirmou que os jovens rejeitam a herança democrática e liberal do Ocidente porque lhes foi dito “um monte de bobagem” a respeito.
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