A. Pérez Meca. POOL/Europa Press - Europa Press
MADRID, 26 jul. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, anunciou neste domingo o início de uma “recuperação sem precedentes” das áreas afetadas pelo incêndio na Sierra Oeste, com um plano integral que inclui a reparação de mais de 100 quilômetros de estradas, auxílios aos pecuaristas e a avaliação dos danos, enquanto o incêndio ainda está ativo.
Depois de acompanhar os Reis em sua visita ao centro de acolhimento de evacuados de Villamanta, Ayuso defendeu que o Executivo de Madri não esperará pela extinção definitiva do incêndio para iniciar a reconstrução e pediu que “não se coloquem as comunidades umas contra as outras”, pois “isso não ajuda em nada”. “Não comecem com disputas desnecessárias neste momento, porque as pessoas não merecem isso”, ressaltou.
A presidente de Madri enfatizou que “Madri nunca para”, ao relembrar “a experiência em tudo” do governo regional na recuperação após a DANA, da tempestade Filomena e da pandemia — episódios nos quais, segundo ela destacou, pontes, estradas, moradias e infraestruturas foram reconstruídas em tempo recorde.
Assim, ela explicou que “bombeiros, guardas florestais, policiais locais, a UME e centenas de voluntários estão combatendo incansavelmente o maior incêndio da nossa história”. “Mas, no Governo da Comunidade de Madri, já estamos trabalhando para uma recuperação o mais rápida possível. Antes mesmo que o fogo seja extinto, nossa obrigação é já pensar nesse cenário, na recuperação”, indicou.
Além disso, ele destacou que o governo regional já está avaliando os danos em residências, infraestruturas e terrenos para agir “de forma rápida”, como fez em catástrofes anteriores. Segundo os primeiros dados, há pelo menos 43 residências totalmente destruídas e outras 300 com danos significativos, embora ela tenha alertado que esse número “vai aumentar enormemente”.
GRATIDÃO AOS REIS, PREFEITOS E MORADORES
A presidente de Madri demonstrou sua gratidão aos Reis por “estarem acompanhando, como sempre, o povo espanhol”, bem como aos prefeitos de Villamanta, à juventude dessa localidade madrilenha, e também a todos os moradores desalojados de Aldea del Fresno que “estão passando por esses momentos tão difíceis”.
Quanto à situação, ela explicou que, quatro dias depois, o incêndio na Serra Oeste de Madri ainda não se estabilizou, continua ativo e já queimou 22.000 hectares, indicando que a emergência nacional em Madri e Ávila agora se estendeu a Toledo.
Além disso, destacou o excelente trabalho que os bombeiros e os efetivos da Unidade Militar de Emergência (UME) realizaram na noite passada para impedir que o incêndio continuasse avançando em alta velocidade dentro da Comunidade de Madri e, portanto, “agora estamos combatendo a entrada do incêndio de Ávila em nossa região, em Cadalso de los Vidrios e em San Martín de Valdeiglesias, o que vem ocorrendo desde o momento em que foi solicitado o nível 3”.
“Temos cerca de 300 bombeiros e guardas florestais da Comunidade de Madri trabalhando incansavelmente contra o fogo. Contamos também com 50 veículos como meios terrestres e 10 helicópteros da Comunidade, que estão espalhados por todo o território madrilenho, mas, especificamente, três nesta zona, e novos recursos estão sendo incorporados gradualmente. Mais de 55.000 moradores foram desalojados, evacuados ou confinados”, especificou.
Os municípios onde houve deslocamento são Aldea del Fresno, Navas del Rey, Chapinería, Colmenar del Arroyo, Fresnerillas de la Oliva, Robledo de Chabela, Navada Gamella, Las Rozas de Puerto Real, Cenicientes e Zarzalejo. Além disso, há confinamentos em vigor neste momento em San Martín de Valdiglesias, Pelayos de la Presa, Valdemaqueda e Villa del Prado.
19 PONTOS DE ACOLHIMENTO E 800 LEITOS DISPONÍVEIS
De acordo com os dados divulgados, a Comunidade de Madri habilitou 19 pontos de acolhimento para evacuados em 15 municípios, que estão atendendo, por sua vez, 2.400 pessoas. Além disso, a rede de assistência e de saúde foi reforçada nos municípios afetados, com 800 leitos disponíveis para possíveis evacuações, a fim de encaminhar os moradores afetados.
Da mesma forma, foram mobilizadas ambulâncias de atendimento básico em 10 municípios, e foi finalizado um plano de ação para lidar com a qualidade do ar nos municípios afetados. Ayuso destacou que, até o momento, não há casos graves a serem lamentados, mas já ocorreram treze transferências hospitalares.
“Os profissionais do SERMAS, ou seja, todo o serviço de saúde de Madri, atenderam mais de mil pessoas, principalmente por problemas respiratórios. E também mobilizamos ambulâncias para atendimento psicológico”, afirmou.
Também foi ativado o serviço de entrega de medicamentos em domicílio nos municípios afetados e em confinamento, e o atendimento também está sendo prestado nos postos de referência de cada localidade, em colaboração com a Ordem dos Farmacêuticos e as prefeituras.
Além disso, foi criada uma estrutura com 85 ônibus e 100 profissionais que continua operando para a evacuação de cidadãos e que já foi utilizada por cerca de 8.000 moradores. Além disso, está sendo realizado um acompanhamento permanente nas casas de repouso e centros de assistência social para coordenar as transferências.
Da mesma forma, animais foram transferidos para o Centro Integral de Acolhimento de Animais da Comunidade de Madri, em colaboração com as associações de proteção aos animais da região.
Ayuso explicou que o incêndio mantém bloqueados 14 pontos em 12 rodovias estaduais e que 13 linhas de ônibus permanecem fora de serviço por motivos de segurança; por isso, voltou a pedir à população que evite deslocamentos desnecessários às áreas afetadas.
Além disso, ela destacou que a rede de telefonia móvel já foi restabelecida nos municípios afetados, embora se continue trabalhando para melhorar a cobertura.
300 TONELADAS DE FORRAGEM E PALHA
A presidente também anunciou um milhão de euros em auxílios de emergência para os pecuaristas afetados, além do envio de 20 caminhões com 300 toneladas de forragem e palha e tanques de água para alimentar o gado. A isso somou-se a renovação automática dos pedidos de emprego dos moradores da região para evitar deslocamentos e um plano integral para reparar mais de 100 quilômetros de estradas estaduais danificadas pelo incêndio.
Ela também agradeceu o trabalho dos Bombeiros, da UME, da Guarda Civil, das polícias locais, da Proteção Civil e dos voluntários, e destacou que a atuação das equipes permitiu salvar inúmeras residências, especialmente nas proximidades da represa de San Juan e do conjunto habitacional Entrepinos.
Ela ressaltou que a região destina mais de 52 milhões de euros à prevenção e ao combate a incêndios, conta com 6.110 profissionais e voluntários — 23% a mais do que na campanha anterior —, e pediu solidariedade com os municípios afetados, além de evitar “conflitos desnecessários” enquanto os trabalhos de combate e recuperação continuam.
Ayuso pediu ainda que se evitem confrontos e divisões decorrentes do incêndio, após criticar algumas mensagens sobre os auxílios ao setor pecuário. A presidente defendeu que apoiar os pecuaristas é “investir no que pertence a todos”, lembrando que eles foram dos primeiros afetados pelo incêndio, ao perderem fazendas, animais e terras.
Da mesma forma, ela defendeu que as causas do incêndio sejam analisadas “com rigor” e que se tirem conclusões assim que a emergência passar, mas rejeitou que a situação seja usada para “colocar as pessoas umas contra as outras”, considerando que esse tipo de mensagem “não ajuda em nada”.
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