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MADRID, 4 abr. (EUROPA PRESS) -
As autoridades russas negaram uma suposta campanha de desinformação contra o atual governo da Argentina, presidido por Javier Milei, que teria consistido em uma série de manobras de “guerra híbrida” para questionar o Executivo argentino.
“Os investigadores reavivaram uma história esquecida sobre uma suposta campanha de desinformação russa, inflada artificialmente em junho de 2025”, assinalou a Embaixada russa na Argentina por meio de uma mensagem nas redes sociais, em referência às informações publicadas na mídia argentina que apontam para uma suposta campanha midiática e política para desacreditar o governo de Milei, orquestrada por um grupo de espionagem russo.
A representação russa se referiu a essas informações como “materiais antirussos”, que não “apresentam fatos nem provas que respalhem essas insinuações”. “Lamentamos que as posições ideológicas voltem a se impor ao bom senso e que o desejo de turvar as relações bilaterais prevaleça sobre a vontade de desenvolvê-las”, acrescentaram.
Em sua mensagem, as autoridades russas remeteram a um comunicado de junho de 2025, no qual negavam que a suposta rede de espionagem tivesse contado com a aprovação e o apoio de sua Embaixada no país sul-americano.
“A missão da Embaixada não consiste em contribuir para a criação de grupos de influência, mas em apoiar os esforços para fortalecer a amizade e a cooperação entre nossos países e povos”, destacou o comunicado emitido na ocasião.
Por sua vez, o presidente argentino denunciou em uma mensagem nas redes sociais que a espionagem revelada pela mídia “é de uma gravidade institucional raramente vista na história”, na qual os envolvidos são apenas “a ponta do iceberg de algo muito maior”.
“Vamos ir até o fim para identificar todos os atores diretos e indiretos que participaram dessa rede de espionagem ilegal”, prometeu Milei.
Após a publicação das informações na imprensa, a Secretaria de Inteligência do Estado Argentina (SIDE) divulgou na noite de quinta-feira um comunicado que confirma a existência da rede de desinformação “operada por cidadãos russos em solo argentino”, conhecida como “La Compañía”. Segundo a SIDE, o caso foi investigado e levado ao conhecimento da Justiça Federal e do Ministério Público em outubro de 2025.
“Seu objetivo era divulgar informações falsas e influenciar a opinião pública argentina em benefício de interesses geopolíticos estrangeiros. A estrutura tinha antecedentes ligados a operações de interferência internacional e buscava consolidar redes de influência dentro do território nacional”, acrescentou o órgão nas redes sociais.
A investigação atual sobre “La Compañía” teve início a partir do vazamento de 76 documentos de inteligência russos, aos quais teve acesso um consórcio de mídia investigativa, incluindo o argentino ‘Filtraleaks’.
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