Joaquín Corchero - Europa Press
MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
Líderes do Sumar exigiram que sejam assumidas responsabilidades no seio do Ministério do Interior caso se confirme que, dentro da Polícia, não tenha sido informado o Ministério do Interior sobre o polêmico relatório que aponta as forças de segurança de Marrocos como responsáveis pela entrada em massa de migrantes em Ceuta, ou caso as conclusões do mesmo tenham sido ocultadas.
O mais contundente foi o coordenador federal da Izquierda Unida (IU), Antonio Maíllo, que pediu demissões no mais alto nível e afirmou que, caso se confirme essa falta de lealdade ao Ministério do Interior, isso deveria implicar na renúncia do diretor-geral da Polícia, Francisco Pardo, ou até mesmo que caberia a Marlaska assumir a responsabilidade, caso seu departamento tivesse conhecimento dessas conclusões e não as tivesse transmitido.
“Vamos aguardar o que diz o relatório, mas o que está claro é que, se for confirmado que a Polícia agiu de forma desleal com o Ministério do Interior, o diretor-geral da Polícia terá que renunciar. E, se for confirmado que o Ministério do Interior tinha essa informação e não a transmitiu, então o ministro do Interior terá que assumir a responsabilidade”, enfatizou durante uma coletiva de imprensa no Parlamento da Andaluzia.
Maíllo elevou o tom diante dessa controvérsia em torno do relatório, que corroboraria a tese defendida pelo parceiro minoritário do Executivo de que Marrocos teve participação nessa crise, em contraposição ao que sustenta a ala socialista.
Enquanto isso, o ministro do Interior solicitou ao diretor-geral da Polícia que verifique “o mais rápido possível” o relatório no qual se atribuiria às Forças e Órgãos de Segurança marroquinos a entrada em massa de migrantes em Ceuta no final de julho.
A PORTA-VOZ PEDE QUE SE APUREM AS RESPONSABILIDADES
Dentro das fileiras do Sumar, o deputado do Compromís, Alberto Ibáñez, indicou que há duas possibilidades nessa polêmica: ou a Polícia ocultou informações do Ministério do Interior, ou o próprio Marlaska “mentiu” quanto ao papel de Marrocos na entrada em massa de migrantes na cidade autônoma.
A porta-voz do Sumar no Congresso e coordenadora geral do Movimento Sumar, Verónica Martínez, também afirmou que o ocorrido com o conteúdo do relatório e seu vazamento é “grave” e, por isso, exigiu “clareza e transparência” por parte do Ministério do Interior.
Sem fazer referências concretas, ela pediu que se apurem as “responsabilidades” e observou, em clara referência à ala socialista, que “continuar afirmando que Marrocos não teve nada a ver com isso está se tornando cada vez mais difícil”.
Enquanto isso, Maíllo observou que a falta de informações sobre esse relatório estaria em consonância com o que vem denunciando ao longo deste verão: “existem setores na estrutura do Estado que atuam à margem e em paralelo, e com deslealdade” em relação aos governos legítimos. “Se isso se confirmar, significa que há uma falta de informação ao Governo e isso precisa ser esclarecido”, enfatizou.
Por sua vez, ele reafirmou que, independentemente disso, é evidente que se trata de um erro” do presidente do Governo, Pedro Sánchez, ao não reconhecer que “há uma responsabilidade do Governo de Marrocos” pelo ocorrido em Ceuta, o que, na IU, entendem ser “uma responsabilidade de caráter criminal, pois provocou nada menos que 145 mortes de inocentes”, acrescentou.
URTASUN, MAIS CAUTELOSO
O ministro da Cultura, Ernest Urtasun, mostrou-se prudente até que se esclareça a credibilidade desse relatório, mas insistiu que o Sumar considera evidente que o Marrocos tem responsabilidade, “por ação e omissão”, nessa crise.
De fato, a porta-voz parlamentar solicitou que, caso essas investigações policiais sejam confirmadas, o Ministério das Relações Exteriores convoque a embaixadora de Marrocos na Espanha, Karima Benyaich, para exigir explicações.
A ministra da Saúde, Mónica García, afirmou que essa exigência de responsabilização ao país vizinho é “imperativa” caso o conteúdo do relatório policial seja comprovado.
PODEMOS VOLTA A EXIGIR A DESTITUIÇÃO DE MARLASKA
O coportavo do Podemos, Pablo Fernández, também se expressou em termos semelhantes aos de Maíllo, exigindo a destituição ou a renúncia do ministro do Interior por sua “gestão desastrosa”.
“Acredito que seja inquestionável que Marlaska, a partir de hoje, não possa permanecer nem mais um minuto à frente do Ministério do Interior”, declarou ele em entrevista ao ‘Canal Red’ e também por meio de uma mensagem na rede social ‘X’. O líder do ‘Podemos’ já exigiu, em diversas ocasiões, a destituição do ministro.
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