Europa Press/Contacto/Rizek Abdeljawad
O Hamas relata um plano para ampliar seu poder na Faixa de Gaza e pede que os membros de outros grupos sem crimes de sangue aproveitem sua anistia.
MADRID, 15 out. (EUROPA PRESS) -
A Presidência da Autoridade Palestina (AP) condenou "energicamente" as execuções "extrajudiciais" realizadas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nos últimos dias, depois que vários meios de comunicação palestinos informaram a prisão de "um grande número" de membros de milícias rivais e a execução de alguns deles.
Para a Autoridade Palestina, chefiada por Mahmoud Abbas, as ações do Hamas são um crime, "uma violação flagrante dos direitos humanos e uma grave violação do princípio do Estado de Direito", informou a agência de notícias palestina Wafa. "Isso reflete a insistência do movimento em impor sua autoridade por meio da força e do terror", acrescentou ele em um texto no qual considerou o Hamas "totalmente responsável".
As detenções e execuções realizadas pelo grupo "vão contra os interesses supremos de nosso povo", disse a declaração, na qual a AP argumentou que a luta do Hamas para consolidar seu poder na Faixa de Gaza "serve de pretexto para a ocupação, impede a reconstrução, perpetua as divisões e impede o estabelecimento de um Estado palestino livre e independente".
A esse respeito, o governo palestino reconhecido internacionalmente pediu a cessação "imediata" dessas ações e que todos os envolvidos nelas sejam "responsabilizados no âmbito da lei e da justiça palestinas legítimas". Argumentou que a Faixa de Gaza é "parte integrante do Estado da Palestina", nas mãos da própria AP, que solicitou o restabelecimento de "instituições legítimas" como a única maneira de pôr fim às ações "dentro da estrutura da lei e da justiça palestinas legítimas".
A declaração da AP foi feita depois que a mídia palestina informou que o Hamas havia prendido "um grande número" de membros de milícias rivais e executado milicianos desses grupos que surgiram durante a ofensiva militar israelense no enclave, acusando-os de serem "colaboradores" de Israel.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também se referiu a essas execuções, saudando o fato de o Hamas ter "eliminado algumas gangues que eram muito ruins". "Não me incomodou muito, para ser honesto", disse ele.
O chefe do Escritório de Mídia do Governo em Gaza, controlado pelo Hamas, Ismail al-Thawabta, disse que "mais de 70 membros de gangues" se entregaram como parte de uma iniciativa de "anistia geral", de acordo com o diário 'Philastin', afiliado ao Hamas. Ele disse que as forças de segurança "eliminaram mais de 50 bolsões de criminalidade" no enclave palestino.
Al Thawabta disse que alguns grupos permanecem entrincheirados e até mesmo protegidos pelas forças israelenses, e conclamou todos os envolvidos "que não têm sangue nas mãos" a se entregarem e aproveitarem a iniciativa de anistia geral, ao mesmo tempo em que relatou o início de um plano do governo do Hamas para "estender o controle e aplicar a lei em toda a Faixa de Gaza", com pessoal de segurança e da polícia.
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