Khasan Alzaanin/TASS via ZUMA Pr / DPA
MADRID 27 maio (EUROPA PRESS) -
A intensificação dos ataques lançados pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) contra a Faixa de Gaza provocou o deslocamento forçado de quase 180 mil pessoas em apenas dez dias, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que não inclui nessa contagem as ordens de evacuação em massa emitidas na segunda-feira para grande parte do sul do enclave.
Os números abrangem o período de 15 a 25 de maio, durante o qual Israel chegou a lançar "ataques diretos" a locais que abrigavam pessoas deslocadas, como acampamentos de barracas e uma antiga escola.
As organizações humanitárias estimam que 80% da Faixa de Gaza tem ordens de evacuação ou está interditada para civis, embora seja de conhecimento geral que "nenhum lugar em Gaza pode ser considerado seguro" no momento, apesar de as autoridades israelenses justificarem todas as suas ações com base em um suposto interesse militar.
Desde 18 de março, mais de 260 enclaves que abrigam cerca de 125.000 pessoas receberam ordens de evacuação. "Estou muito cansado. Fomos forçados a nos mudar mais cedo e (nossa família) foi separada", lamenta um trabalhador palestino do campo de Al Mawasi.
"Meu irmão morreu em uma área segura após um bombardeio. Eles chamam de locais seguros e depois os atacam. Prefiro ficar em casa e enfrentar o que vier, porque pelo menos morreremos juntos", disse ele à OIM, que faz parte de um grupo de trabalho para avaliar a situação da população deslocada.
Seu caso não é único: desde que Israel rompeu o cessar-fogo em 18 de março, cerca de 616.000 palestinos foram forçados a se deslocar em mais de uma ocasião, em até uma dúzia de casos. Durante o cessar-fogo, por outro lado, mais de meio milhão de pessoas voltaram para suas casas, principalmente na parte norte da Faixa.
DÚVIDAS SOBRE A AJUDA
A coalizão de organizações também expressou sua "preocupação" com o novo mecanismo de ajuda proposto por Israel e pelos EUA, que, segundo ela, pode anular os protocolos de entrega atuais e, em última análise, não colocar os interesses humanitários da população local em primeiro lugar.
Nesse sentido, eles lembraram que os princípios de "humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência" também se aplicam no caso de Gaza, onde "a ajuda deve ser entregue apenas com base na necessidade, e não em considerações militares e políticas", e pediram a Israel que suspenda as restrições atuais.
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