Publicado 08/10/2026 22:13

Augusto Cury, terceiro colocado no primeiro turno das eleições, anuncia seu apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno

O filho de Jair Bolsonaro se diferencia do pai, promete avançar “sem ódio” e se compromete com Cury nas áreas de educação, saúde, violência de gênero e economia

Uma pesquisa eleitoral prevê a vitória de Bolsonaro (52% dos votos) contra Lula (48%) nas eleições de 25 de outubro

18 de setembro de 2026, São Paulo, São Paulo, Brasil: São Paulo (SP), 18/09/2026 — Política/Debate/Presidente — O candidato Augusto Cury participa de um debate organizado pelos canais Inteligência Ltda e Metrópoles no G4 Educação, em São Paulo, na noite d
Leandro Chemalle / Zuma Press / Europa Press

O filho de Jair Bolsonaro se diferencia do pai, promete avançar “sem ódio” e se compromete com Cury nas áreas de educação, saúde, violência de gênero e economia

Uma pesquisa eleitoral prevê a vitória de Bolsonaro (52% dos votos) contra Lula (48%) nas eleições de 25 de outubro

MADRID, 9 (EUROPA PRESS)

O terceiro candidato presidencial mais votado no primeiro turno das eleições brasileiras, o conservador Augusto Cury, que obteve mais de 3,4 milhões de votos (quase 2,9% do total), anunciou nesta quinta-feira seu apoio ao ultraconservador Flávio Bolsonaro, vencedor do primeiro turno das eleições, com vistas ao segundo turno que será realizado em 25 de outubro.

“Neste segundo turno, decidi dar um voto de confiança a Flávio Bolsonaro, que concorre ao seu primeiro mandato e se comprometeu a acabar com a reeleição”, afirmou Cury em uma declaração em vídeo na qual, além de destacar uma de suas principais premissas de campanha —sua oposição à possibilidade de os presidentes renovarem seu mandato nas urnas—, expôs sua oposição ao “projeto” do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

Cury, que iniciou sua intervenção afirmando que “a fome, a violência, o desemprego e o sofrimento emocional afetam tanto os brasileiros de esquerda quanto os de direita”, enfatizou sua oposição “radical” à reeleição, alegando que “ela favorece a perpetuação no poder e o populismo, além de enfraquecer a renovação democrática”.

Da mesma forma, ele expressou sua rejeição ao “modelo econômico que vem sufocando o Brasil com taxas de juros altíssimas, comprometendo o poder aquisitivo das famílias e o futuro das próximas gerações”. “Por isso, não posso apoiar Lula. Não é nada pessoal; trata-se do projeto”, acrescentou.

Por outro lado, com o vencedor do primeiro turno, ele manteve “uma longa conversa” na qual o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro “aceitou” suas propostas e “assinou um compromisso público”, um documento intitulado “Compromisso Público com o Brasil” e subtitulado “Flávio Bolsonaro com Augusto Cury”, no qual o primeiro se compromete com vários projetos, a começar pelo “fim da reeleição”.

PROMESSAS EM EDUCAÇÃO, SAÚDE, VIOLÊNCIA DE GÊNERO E ECONOMIA

O candidato do Partido Liberal (PL) também prometeu, nesse texto, promover uma “revolução na educação”, incluindo no currículo disciplinas de “oratória, gestão financeira (e) empreendedorismo”, bem como “valorizar os professores por meio de formação continuada, melhores salários e condições dignas de trabalho” em um sistema educacional que buscará “promover a neuroinclusão e a prevenção do bullying”.

O documento também aborda uma “revolução na saúde” com a construção de “uma das maiores redes públicas de telemedicina do mundo”, que utilizará inteligência artificial e tecnologias integradas aos equipamentos médicos “para reduzir drasticamente” as listas de espera para consultas com especialistas.

Inclui, igualmente, um tópico no qual Bolsonaro se compromete a “transformar a luta contra a violência contra as mulheres em prioridade nacional” por meio de recursos tecnológicos, como um “aplicativo com botão de pânico conectado às redes de proteção e às forças de segurança”. Além disso, o capítulo inclui “fortalecer as delegacias especializadas, a assistência psicológica, as medidas de proteção e as políticas de autonomia econômica”.

Em seguida, o compromisso aborda três eixos econômicos: a defesa do cooperativismo, o “financiamento de milhões de microempresas” e a “meta estratégica de dobrar a produção brasileira de alimentos nos próximos dez anos”.

Por fim, Flávio Bolsonaro prometeu a Cury no texto “não governar movido pela vingança, pelo rancor, pela perseguição ou pelo ressentimento político”, mas sim fazê-lo “para os brasileiros de direita, de esquerda, de centro e para aqueles que não se identificam com nenhuma corrente ideológica”.

“Reconheço que o Brasil precisa de um novo modelo de liderança: uma mentalidade capitalista e um coração social”, afirma Bolsonaro, concluindo um texto no qual declara sua “adesão aos oito compromissos apresentados”. “O compromisso principal não é com um partido, um candidato ou um projeto pessoal de poder. É com Augusto Cury, com o Brasil, com a democracia, com a alternância no poder e, acima de tudo, com as gerações futuras”, acrescenta.

BOLSONARO PROMETE AVANÇAR “SEM ÓDIO” SE VENCER O SEGUNDO TURNO

Após o anúncio do apoio do terceiro candidato mais votado no primeiro turno eleitoral, Bolsonaro quis assumir como seus os oito eixos do documento de compromisso, deixando claro que é “diferente” de seu pai, Jair Bolsonaro.

“Os brasileiros conhecerão um Bolsonaro diferente. Todos aqueles que tentaram ser iguais a Jair Bolsonaro se saíram mal”, afirmou ele, antes de traçar um paralelo com o futebol: “Não faz sentido que o filho do Pelé queira ser igual ao Pelé; ele tem que ser diferente”.

Nesse sentido, ele garantiu que defende “exatamente isso, tudo o que Augusto Cury diz”. “Vocês acham que não estou cansado de brigas? Vocês acham que eu não quero pacificar este país? Claro que quero”, prosseguiu, garantindo que, caso se torne presidente, desejará “pacificar” o Brasil, considerando-se “a única pessoa capaz de alcançar essa pacificação”.

“Portanto, como eu estou de um lado e o Lula do outro, quando assumirmos o governo, não vou querer brigar com ele. Vou querer olhar para frente. O caos vai acabar, as brigas vão acabar; sem ódio, sem vingança”, prometeu.

Flávio Bolsonaro, que já conta com o apoio de Ronaldo Caiado (2,6 milhões de votos, 2,18%), espera, assim, somar boa parte dos 3.448.569 votos (2,89%) que Augusto Cury recebeu em um primeiro turno eleitoral marcado pelo domínio dos dois principais candidatos: 56,1 milhões de votos para o candidato do PL, 47,03% do total, contra os 53,9 milhões de votos — 45,16% — obtidos pelo atual presidente do país.

Dessa forma, apenas um dos cinco candidatos que ultrapassaram 1% dos votos não declarou apoio a nenhum dos dois que avançaram para o segundo turno: Renan Santos, do partido de direita Missão. Apesar da possível afinidade ideológica, parece improvável que ele dê seu apoio a Flávio Bolsonaro, sobre quem afirmou que “seu único mérito é ser filho de outro descarado que não era muito inteligente”, acrescentando ainda que “nenhum eleitor sabe explicar por que vota em Flávio”.

Dessa forma, Bolsonaro parece ter conquistado apoios para o segundo turno após ter vencido o primeiro. Nesse contexto, a última pesquisa do Datafolha aponta o candidato do PL como vencedor também do segundo turno, com 52% dos votos, contra os 48% projetados para Lula. A pesquisa apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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