María José López - Europa Press - Arquivo
HUELVA/MADRID 22 abr. (EUROPA PRESS) -
A Audiencia Nacional aceitou para tramitação o recurso contencioso-administrativo interposto pela WWF contra a ordem de delimitação, aprovada em 10 de outubro de 2025 pela Direção Geral da Costa e do Mar, subordinada ao Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, nas marismas de Doñana. O recurso da WWF soma-se ao apresentado pela Junta da Andaluzia, que também foi admitido para tramitação pela Audiencia Nacional.
Segundo informa a própria organização conservacionista em um comunicado à imprensa, a oposição a essa delimitação não se limita à WWF, já que outros órgãos do Estado, como a Estação Biológica de Doñana (CSIC), a Confederação Hidrográfica do Guadalquivir (CHG), bem como a Junta da Andaluzia, a direção do Espaço Natural de Doñana e a Prefeitura de Hinojos, também se manifestaram contra.
“É surpreendente ter que defender, a esta altura, que Doñana também é um pântano de água doce. Todos os estudos científicos realizados ao longo de décadas demonstram de forma inequívoca que seus pântanos são zonas úmidas de água doce de origem pluvial-fluvial. Por isso, nós da WWF nos opomos a essa delimitação, tal como está proposta, uma vez que redefine a natureza do pântano de Doñana, ao considerar que aproximadamente dois terços do pântano atual seriam terrenos marinhos. “Esta proposta pode ter consequências ecológicas irreversíveis”, afirmou o secretário-geral da WWF, Juan Carlos del Olmo.
Na sua opinião, um dos aspectos “chave” da controvérsia gira em torno da ‘Montaña del Río’, uma elevação do terreno paralela ao rio Guadalquivir. A Direção de Costas sustenta que ela foi criada artificialmente em 1983, enquanto a WWF e diferentes organismos científicos, como o CSIC, defendem que sua origem “não é artificial, embora tenha sido restaurada em várias ocasiões devido à erosão”.
Além disso, essa proposta de delimitação, adotada “à margem e contra o critério majoritário” do Conselho de Participação de Doñana, “forçará uma reinterpretação da gestão do Parque Nacional, podendo provocar a entrada de água salgada em zonas de água doce e comprometendo os esforços de conservação endossados há décadas pela comunidade científica e técnica”.
Vale lembrar que mais de 270 cientistas se manifestaram contra a atual delimitação promovida pelo Ministério da Transição Ecológica e alertaram que ela “contradiz o consenso científico existente sobre o funcionamento hidrológico de Doñana”. Além disso, alertam que essa decisão poderia ter “consequências irreversíveis: a perda de suas zonas úmidas de água doce e a profunda alteração de seus ecossistemas mais valiosos, protegidos pela legislação nacional e internacional”.
“Pedimos ao Ministério que ouça a ciência e desista desta proposta de delimitação, que poderia resultar em um longo conflito judicial e atrasar projetos essenciais e comprometidos com a recuperação da biodiversidade ameaçada de Doñana, e que inicie um novo procedimento baseado no amplo consenso científico sobre a ecologia e o funcionamento desta importante zona pantanosa”, concluiu Juan Carlos del Olmo.
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