Europa Press/Contacto/Jimin Kim - Arquivo
MADRID 3 jul. (EUROPA PRESS) -
Um ativista tibetano faleceu após se imolar em frente à sede das Nações Unidas na cidade norte-americana de Nova York, conforme confirmado pelas autoridades, em um ato que um meio de comunicação tibetano associa a um protesto em favor da independência dessa região chinesa.
Um porta-voz da Polícia de Nova York informou, em declarações à Europa Press, que os policiais encontraram o homem “com queimaduras graves por todo o corpo” após se deslocarem à área entre a Rua 42 e a Primeira Avenida, após receberem uma chamada de emergência por volta das 18h30 (hora local) desta quinta-feira.
O homem, de 52 anos, recebeu primeiros socorros antes de ser levado de emergência “em estado crítico” ao hospital Bellevue, onde foi confirmado seu falecimento. “A investigação está em andamento neste momento”, afirmou o porta-voz, que ressaltou que a identidade do falecido não será divulgada até que sua família seja notificada.
Horas antes, a Voice of Tibet, um meio de comunicação dos tibetanos no exílio, publicou o vídeo da autoimolação do homem, identificado como Loga Rangzen, ao mesmo tempo em que afirmou que ele se imolou em frente à sede da ONU “após publicar um apelo pela independência e pela unidade tibetana”.
A imolação ocorreu após a entrada em vigor, em 1º de julho, da Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos, em meio a críticas contra Pequim por supostamente constituir uma tentativa de assimilar as minorias do gigante asiático, algo que foi rejeitado por Pequim.
Nesse sentido, Sarah Brooks, diretora regional adjunta da organização não governamental Anistia Internacional, afirmou na quinta-feira que “as obrigações das autoridades chinesas em matéria de direitos humanos exigem a proteção das comunidades minoritárias e de suas culturas, exatamente o contrário do que faz essa lei”.
“Em vez de celebrar a diversidade, a lei obriga grupos étnicos como os uigures, os tibetanos e os mongóis a adotar uma identidade nacional única, definida pelo Estado e dominada pela cultura chinesa han”, explicou ela, de acordo com um comunicado publicado pela ONG.
“Nesse contexto, ‘unidade’ não significa harmonia entre diferentes comunidades, mas alinhamento político e ideológico com o Partido Comunista Chinês. Em vez de proteger a diversidade e a igualdade, a lei exige conformidade”, disse ele, antes de acrescentar que “essa lei estabelece um marco jurídico nacional para políticas que já destruíram os direitos dos uigures, tibetanos e de outros grupos étnicos distintos dos han”.
As autoridades centrais da China assumiram o controle efetivo da região do Tibete em 1950, após várias décadas em que a região gozou de independência “de fato”, fato que se concretizou com a assinatura, pelo Dalai Lama, do Acordo dos Dezessete Pontos, embora o líder espiritual tibetano tenha repudiado o acordo anos depois, afirmando que assinou sob coação.
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