Liau Chung-Ren/ZUMA Wire/dpa - Arquivo
Estava previsto que ele cumprisse sua pena atual em 2027, mas este caso poderia prolongar sua prisão por anos
MADRID, 2 set. (EUROPA PRESS) -
O ativista e oposicionista de Hong Kong Joshua Wong se declarou culpado nesta quarta-feira das acusações que pesavam contra ele por “conspirar para agir em conluio com forças estrangeiras”, nos termos da polêmica lei de segurança nacional, criticada por organizações de direitos humanos.
O ativista de 29 anos, que já havia sido condenado a quatro anos e oito meses de prisão por “conspiração para cometer subversão” — pena que termina em 2027 —, admitiu os crimes de que era acusado, segundo informou o Hong Kong Free Press.
O juiz William Tam, responsável pelo caso, indicou que tanto ele quanto outros ativistas, entre eles Nathan Law, solicitaram, durante os protestos de 2020, que países terceiros impusessem sanções e “bloqueios” contra a região administrativa especial chinesa e contra o país como um todo.
O Ministério Público destacou que Wong teria exercido pressão no âmbito internacional para promover a imposição de restrições contra os governos regional e central da China, e teria solicitado aos Estados Unidos a aprovação da Lei de Direitos Humanos e Democracia de Hong Kong, além da implementação, por outros países ocidentais, de programas semelhantes à Lei Magnitsky dos Estados Unidos.
Apesar da aprovação da polêmica lei de segurança nacional em junho de 2020, Wong continuou com esse tipo de ação. “O réu, que continuava em território de Hong Kong, continuou apoiando essas medidas por meio das redes sociais e da mídia estrangeira, onde solicitava que fossem impostas sanções”, destacou um dos promotores.
Enquanto se aguarda a sentença, o ativista pode ter sua permanência na prisão prolongada por anos.
A controversa lei de segurança nacional imposta pelo governo de Pequim não fez senão provocar protestos entre as vozes dissidentes dessa antiga colônia britânica, que há anos vem exigindo maior autonomia em relação à China e maior abertura.
Após a divulgação da imposição de novas acusações contra ele há pouco mais de um ano, a diretora da Anistia Internacional para a China, Sarah Brooks, denunciou que sua situação “destaca o medo das autoridades em relação aos dissidentes de destaque e demonstra até onde elas estão dispostas a ir para mantê-los presos pelo maior tempo possível”.
“Wong, que já estava presa por participar de primárias não oficiais, teria sido libertada daqui a um ano e meio, mas, se o processo seguir adiante, poderá enfrentar uma pena de até prisão perpétua”, alertou ela.
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