Exorta De la Espriella a, “além das diferenças”, compreender “a questão da imigração colombiana”
O Ministério das Relações Exteriores afirma que “mais de 16.988 pessoas” retornaram ao país de maneira “digna”
MADRID, 17 jul. (EUROPA PRESS) -
O jornalista e ativista colombiano Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido como ‘Beto’ Coral, desembarcou na noite desta quinta-feira no país sul-americano, após ter sido deportado dos Estados Unidos, onde permaneceu detido pelas autoridades de imigração daquele país durante um mês.
Isso foi confirmado pelo próprio Coral em um vídeo divulgado nas redes sociais pelo Ministério das Relações Exteriores da Colômbia, no qual, após afirmar que “renunciou a qualquer possibilidade de asilo político nos Estados Unidos”, confessou temer “qualquer represália” que sua família possa sofrer por causa de suas palavras.
“Não posso entrar em detalhes sobre minha detenção, pois, neste momento, a única coisa que quero é tirar urgentemente minha família daquele país. Temo qualquer represália que minhas palavras aqui na Colômbia possam causar lá nos Estados Unidos, mas, claramente, vamos dizer o que temos a dizer”, afirmou.
Vale lembrar que Coral foi detido no início do mês de junho passado após, conforme explicou ele mesmo em um comunicado, ter apresentado uma queixa criminal na Flórida contra o então candidato de extrema direita à presidência do país sul-americano, Abelardo de la Espriella, “por gravação ilegal de uma ligação”.
“Fui detido pelo governo dos Estados Unidos sem que me explicassem claramente os motivos da minha detenção”, ressaltou na época o ativista, que, por sua vez, defendeu sua inocência em um texto dirigido ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Suas palavras foram proferidas após sua deportação, depois que veio à tona, na esteira de uma reportagem do “The New York Times”, que o próprio Rubio assinou a ordem de expulsão em decorrência de uma denúncia apresentada contra De la Espriella, uma figura próxima ao governo dos Estados Unidos.
UMA MENSAGEM PARA DE LA ESPRIELLA
Afirmando que continuará com sua causa, o ativista convocou a “continuar lutando” de maneira “pacífica” contra as “tirania” e o “encarceramento das ideias”, ao mesmo tempo em que instou o próximo presidente da Colômbia, o recém-eleito Abelardo de la Espriella, a “além de qualquer diferença”, a “compreender a problemática da imigração colombiana”.
A esse respeito, Coral alertou que há cidadãos colombianos que “estão detidos nas piores condições e que, sem o devido processo legal, permanecem presos há mais de um ano tentando lutar por um caso de imigração”.
Por sua vez, comemorando que Coral chegou ao país “sem algemas”, o presidente cessante da Casa de Nariño, Gustavo Petro, defendeu a importância de que “todo presidente que governar o país” saiba que “na política internacional, o que importa em primeiro lugar é a comunidade colombiana, e não seus documentos em cada país”.
“Que não cheguem à Colômbia colombianas e colombianos decentes acorrentados”, ressaltou Petro em uma mensagem publicada nas redes sociais.
CERCA DE 17.000 RETORNADOS DE FORMA DIGNA
Entre as autoridades que receberam Coral está a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Rosa Yolanda Villavicencio, que garantiu que a família do ativista “em breve também sairá” do país norte-americano.
“É um caso que continuaremos monitorando e acompanhando como necessário, já que ainda há muitos colombianos e colombianas nesses locais de detenção, onde os direitos humanos estão totalmente em risco”, lamentou a ministra.
Além disso, Villavicencio destacou que, durante a presidência de Gustavo Petro, “mais de 16.988 pessoas” retornaram ao país de forma “digna”, podendo “ser atendidas” e contar com os “canais para se conectar com as instituições que podem orientá-las novamente em sua inserção no mercado de trabalho e na regularização de sua documentação”.
“Muitos chegam sem documentação, sem nenhum pertence, e cabe à política de retorno implementada pelo Governo da Mudança apoiar para que essas pessoas possam recomeçar e sejam acompanhadas pelas instituições”, insistiu a ministra das Relações Exteriores.
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