A missão da UE liderada pela Espanha não descarta reavaliar os recursos mobilizados caso a situação se agrave ainda mais
MADRID, 9 maio (EUROPA PRESS) -
O bloqueio a que o estreito de Ormuz está sujeito há várias semanas, inicialmente por parte do Irã e depois também dos Estados Unidos, está causando estragos na economia mundial, devido ao impacto no abastecimento de petróleo, gás e fertilizantes, entre outros produtos, mas também tem sido visto como uma “oportunidade” para relançar suas atividades pelos piratas que operam em águas próximas à Somália.
Nesta zona do Oceano Índico, ocorreu no final do mês de abril um aumento na atividade que lembrou o pior período vivido há mais de uma década, quando os ataques e sequestros de embarcações que navegavam por esta zona do Oceano Índico eram frequentes. “A crise no Estreito de Ormuz pode ser vista pelos grupos piratas como uma nova oportunidade para retomar suas atividades ilegais”, afirmam à Europa Press fontes da Operação ‘Atalanta’.
Esta missão naval foi criada em 2008 pela UE com a missão principal de proteger a navegação dos navios que utilizam esta rota marítima, em particular os do Programa Mundial de Alimentos (PMA), bem como os pesqueiros e também os mercantes. A operação tem seu quartel-general na base de Rota (Cádiz) e atualmente é comandada pelo vice-almirante espanhol Ignacio Villanueva Serrano.
Já em novembro de 2023, a “Atalanta” também detectou um aumento da atividade pirata em sua área de atuação “após um intervalo de cinco anos sem incidentes”, que atingiu seu auge no primeiro semestre de 2024.
Esse aumento coincidiu “com o início dos ataques dos houthis no Mar Vermelho”, precisa, em referência às ações lançadas por esse grupo armado iemenita apoiado pelo Irã e que se solidarizou com o Hamas após o início da ofensiva israelense em Gaza, na sequência do ataque terrorista contra Israel em 7 de outubro daquele ano.
Na época, o tráfego marítimo foi perturbado no Mar Vermelho, obrigando as companhias marítimas a buscar uma rota alternativa, a priori mais segura, embora muito mais longa do que atravessar o Canal de Suez, contornando todo o continente africano e passando pelo Cabo da Boa Esperança, o que implicava navegar em frente à Somália.
Também agora, embora os houthis não tenham realizado ataques de grande envergadura em solidariedade a Teerã após o ataque lançado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, que custou a vida do líder supremo Ali Khamenei, dado que o custo de segurar a embarcação e o frete é maior, o tráfego nas águas próximas ao país africano aumentou.
TRÊS NAVIOS SEQUESTRADOS
Atualmente, há três embarcações sequestradas por piratas ao largo da costa norte da Somália, que as forças da “Atalanta”, entre as quais se encontra a fragata espanhola “Canárias”, acompanham de perto e mantêm sob vigilância.
“As forças da ‘Atalanta’ mantêm uma presença contínua na zona, garantindo uma vigilância constante” e também estão em “estreita coordenação com os parceiros regionais, especialmente com as forças policiais marítimas de Puntlandia”, a região semiautônoma somali em frente à qual os três navios estão retidos, precisaram as fontes.
Especificamente, trata-se do “MT Honour 25”, um petroleiro com bandeira paquistanesa e 17 tripulantes a bordo, sequestrado em 21 de abril em frente a Harun, em Puntlandia; e o “MV Sward”, um cargueiro com bandeira de São Cristóvão e Neves que transportava cimento do Egito para o Quênia e contava com 15 tripulantes a bordo, sequestrado em 26 de abril na costa de Garacad, também na Somália.
O último sequestro ocorreu no último dia 2 de maio e, neste caso, os piratas capturaram o 'MT Eureka', um petroleiro que se encontrava ancorado em frente ao porto de Qana, no Iêmen, e procederam em seguida ao seu transporte para águas somalis.
Nessas circunstâncias, o Centro de Segurança Marítima do Oceano Índico (MSCIO, dependente da UE) recomendou, após este último sequestro, a todas as embarcações que navegam nesta zona, em particular nas 150 milhas náuticas entre Mogadíscio e Hafun, que aumentem a vigilância e informem “imediatamente sobre qualquer atividade suspeita relevante”.
ESFORÇOS PARA A RESOLUÇÃO DO SEQUESTRO
Diante disso, fontes consultadas pela Europa Press indicam que a missão da UE “continuará com os esforços necessários para alcançar uma rápida resolução dos incidentes” e que a situação é avaliada “de forma constante”, assim como os meios e apoios disponíveis para enfrentar a missão.
Atualmente, fazem parte da EUNAVFOR 'Atalanta' a fragata 'Canarias' e a fragata italiana 'Bianchi', ambas equipadas com helicópteros e drones de vigilância aérea, bem como o chamado destacamento 'Orión' da Espanha em Djibuti, onde há um avião de reconhecimento aéreo. Além disso, contam com o apoio de unidades das Forças Conjuntas Combinadas do Japão e das Forças Aéreas das Seychelles.
Embora na “Atalanta” estejam plenamente cientes da “situação geoestratégica global e dos múltiplos esforços” que os países da UE estão realizando na área militar em diferentes cenários, não descartam que, no futuro, caso os ataques se intensifiquem, possa ser necessário reforçá-la.
“Se a situação continuar a se deteriorar e ocorrerem novos casos de pirataria”, admitiram as fontes, então a operação “reavaliaria seus meios e apoios disponíveis para poder enfrentá-la com sucesso”, tendo em conta que “a operação está preparada para assumir a incorporação de novos meios, caso seja necessário”.
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