Marcos Moreno - Europa Press
MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
Sindicatos da Polícia Nacional e associações da Guarda Civil concordaram nesta sexta-feira em considerar “insuficientes” os reforços mobilizados em Ceuta para lidar com a crise migratória e alertaram que a cidade autônoma continua imersa em uma situação “caótica”, com agentes “sobrecarregados” e uma multidão de imigrantes espalhados pelas ruas. “É um caos absoluto”, resumiram representantes do Sindicato Unificado da Polícia (SUP).
As organizações consultadas pela Europa Press concordam que o envio do Exército e de outros efetivos da Península representou um “apoio”, mas sustentam que isso não permitiu recuperar o controle da situação e reivindicam mais recursos humanos e materiais, além de uma resposta “mais rápida” por parte das autoridades.
“CONTINUAMOS SOBRECARREGADOS”
O sindicato da Polícia Nacional, Jupol, garantiu que, para os policiais, a situação “não mudou” desde a chegada do Exército e denunciou que o corpo de polícia continua sem ter recebido os reforços necessários.
“Estamos sobrecarregados, é um abandono total”, afirmaram, ao mesmo tempo em que garantem que muitos cidadãos optaram por permanecer em suas casas diante da situação, embora durante a noite passada tenham sido registrados apenas incidentes isolados. “A população está praticando o confinamento voluntário por segurança”, lamentam.
OS REFORÇOS “NÃO SÃO SUFICIENTES”
Por sua vez, a Associação Profissional Justiça da Guarda Civil (Jucil) reconhece que o envio do Exército e de efetivos da Península é algo positivo, mas insistiu nesta sexta-feira que “tudo o que vier a mais é bem-vindo”, embora “continuem chegando” imigrantes à cidade autônoma.
A associação considera que a recente decisão do Supremo Tribunal sobre as devoluções na fronteira “não é o único motivo” da crise atual, mas “a gota que fez o copo transbordar” devido à falta de recursos humanos e materiais e a uma gestão que classificam como tardia, ao lembrar que o destacamento militar ocorreu horas após o início da emergência.
Além disso, apontam que nesta sexta-feira começaram a observar uma maior atuação da Gendarmerie marroquina do outro lado da fronteira, depois que na quinta-feira sua intervenção foi “inexistente”, e alertam que muitos imigrantes permanecem dispersos por diferentes pontos da cidade.
“SITUAÇÃO SEM PRECEDENTES”
A Associação Unificada dos Guardas Civis (AUGC) de Ceuta, classificam o cenário como uma “situação sem precedentes” e “caótica” e exigem uma solução “rápida”, seja por meio de repatiências — caso estas possam finalmente ser executadas —, seja pela distribuição dos imigrantes pela Península.
A associação alerta que milhares de pessoas ainda permanecem sem identificação e com necessidades básicas a serem atendidas, enquanto inúmeras famílias buscam abrigo em portais de prédios e entram em lojas para passar a noite — uma situação que, segundo eles, está aumentando a insegurança entre os moradores.
Além disso, consideram que a resposta de Marrocos está sendo “muito tímida” e lembram que o Exército só pode desempenhar funções de presença e dissuasão; por isso, insistem no reforço dos recursos das Forças e Órgãos de Segurança do Estado.
Por fim, o SUP afirma que muitos moradores “não saem de casa” e garante que, embora o Exército esteja tentando dissuadir, “não está agindo” diretamente, pois não recebeu ordens para tal.
O sindicato insiste que a prioridade continua sendo garantir a segurança dos cidadãos enquanto as chegadas de imigrantes continuam e resume a situação com uma frase: “É um caos absoluto”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático