MADRID 18 set. (EUROPA PRESS) -
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quinta-feira uma resolução apoiada por 152 países que exige que os Estados Unidos revoguem sua decisão de impedir a participação palestina em sua 81ª sessão, ao considerar que a medida viola o Acordo sobre a Sede. Dessa forma, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, poderá se pronunciar perante a organização por meio de uma transmissão televisiva na data e hora previstas.
O resultado da votação representa um amplo apoio à presença da Palestina nos trabalhos da Assembleia Geral, apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos, país anfitrião da sede das Nações Unidas em Nova York. Apenas três países votaram contra a iniciativa: os próprios Estados Unidos, Israel e o Paraguai; enquanto a Colômbia, o Panamá, as Honduras e o Peru optaram pela abstenção.
O texto aprovado exige que Washington se retrate imediatamente de sua decisão de impedir a participação da delegação palestina nas sessões correspondentes ao novo período da Assembleia Geral. Os Estados que apoiaram a iniciativa consideram que as restrições dos Estados Unidos constituem uma violação do Acordo sobre a Sede, assinado entre a ONU e os Estados Unidos.
O acordo estabelece as obrigações que cabem ao país anfitrião para garantir o acesso à sede da organização. Entre elas está a obrigação de facilitar a entrada e a permanência das delegações diplomáticas, dos Estados-membros e dos observadores, para que possam participar das reuniões da Assembleia Geral sem obstáculos.
ABBAS FALARÁ ON-LINE
O Ministério das Relações Exteriores palestino comemorou a aprovação da resolução e expressou sua gratidão aos países que promoveram o texto, aos quais se referiu como “irmãos e amigos”, bem como aos Estados que votaram a favor.
As autoridades palestinas destacaram que a decisão da Assembleia Geral evitará qualquer restrição dos Estados Unidos à participação da Palestina nos encontros de mais alto nível, bem como nos demais trabalhos da sessão, o que permitirá que a delegação palestina apresente sua posição perante as Nações Unidas, apesar da impossibilidade de presença física.
Como alternativa, o discurso de Mahmoud Abbas será transmitido pela televisão, de acordo com o cronograma estabelecido para sua intervenção, conforme confirmado pelo próprio Ministério em uma publicação nas redes sociais.
“A adoção dessa decisão representa um rompimento com as tentativas de impedir a participação da Palestina nos trabalhos de alto nível do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral (...) A voz do povo palestino chegará às Nações Unidas”, afirma a nota.
CONTINUIDADE DA VOZ PALESTINA NA ONU
O Ministério das Relações Exteriores palestino acrescentou que a votação que deu “luz verde” à intervenção de Abbas perante a Assembleia Geral não faz senão confirmar a continuidade da voz palestina no seio da ONU, frustrando os esforços destinados a marginalizar a Palestina e “sua causa” dos trabalhos da organização.
As autoridades palestinas reiteraram, além disso, sua intenção de continuar defendendo os interesses de sua população e trabalhando para sua proteção. De acordo com o mesmo comunicado, esse trabalho inclui promover uma solução para a questão palestina por meio de vias políticas, jurídicas e diplomáticas.
O Ministério sinalizou, ainda, que manterá sua atuação contra a ocupação, as políticas que qualifica de coloniais, os crimes atribuídos aos colonos israelenses e outras práticas que — segundo afirmou — prejudicam o direito do povo palestino à autodeterminação.
O objetivo, concluiu o comunicado, é alcançar um Estado da Palestina independente, com Jerusalém como capital.
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