FERNANDO SÁNCHEZ-EUROPA PRESS
MADRID, 23 mar. (EUROPA PRESS) -
O líder do Comunes e deputado do Parlamento Europeu, Jaume Asens, argumentou que o Sumar e o Podemos precisam se unir novamente dentro do "perdo coletivo" e evitar uma diviso que seria como os "jogos de fome" da esquerda. Ele também prescreveu lideranas que "esvaziem seus egos" e considera a segunda vice-presidente, Yolanda Díaz, e a ex-ministra da Igualdade, Irene Montero, como duas referncias.
Ele também revelou, por ocasio da publicao de seu novo livro "Los años irrecuperables", publicado pela Península, que o presidente do governo, Pedro Sánchez, o vetou como possível ministro em 2019. Ele também conversou com o ex-porta-voz parlamentar Íñigo Errejón, de quem ele diz que ainda no se desculpou por seu comportamento sexista, embora tenha assumido responsabilidades políticas.
Em entrevista Europa Press, por ocasio da recente apresentao de sua publicao em Madri, Asens diagnosticou que a esquerda precisa ser "autocrítica", "olhar-se no espelho" e aprender com os erros do passado, que so principalmente lutas internas e fragmentao, como se fosse um "escorpio que sempre espeta seu ferro".
Dessa forma, ele alertou que quando a esquerda se divide ela "entra em choque" com a realidade "teimosa" de um sistema eleitoral que penaliza trs candidaturas esquerda, mas também valoriza os episódios de unio, como aconteceu nas eleies de 23J, em que Sumar e Podemos se uniram mesmo que tenha sido no "último minuto" e como um "casamento de convenincia" política.
Diante da ruptura entre as duas formaes, o líder dos Comuns pediu que haja uma nova "entente", especialmente devido ascenso da extrema direita, porque sem um acordo "sero os jogos da fome". E advertiu que, nos cismas, há muito "taticismo".
"EGOS FERIDOS SO MUITO PERIGOSOS NA POLÍTICA".
Para essa reconciliao, ele pediu uma "deflao", já que as alianas podem ser construídas a partir de "chamas" e "ataques", que só provocam "descontentamento" e "anticorpos" diante de possíveis frentes amplas.
Diante disso, ele garantiu que é hora de "generosidade", "responsabilidade", deixando para trás "rancores" e garantindo que as lideranas coloquem o interesse coletivo em primeiro lugar. "Egos feridos so muito perigosos na política", disse ele.
Dito isso, Asens enfatizou que na esquerda "no há ninguém de sobra" e que há figuras que acumulam capital essencial. "Viver sem perdo é viver em uma priso (...) O perdo no muda o passado, mas nos permite olhar para o futuro", disse ele.
Nesse sentido, ele enfatizou que tanto Díaz quanto Montero, que atualmente é membro do Parlamento Europeu como ele, so referncias válidas e duas líderes femininas" com as qualidades necessárias para ocupar posies de destaque.
Ele também enfatizou que a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, foi outro exemplo de "liderana que se destaca das demais" e que ela "decidirá seu futuro" quando voltar ao ativismo.
O VETO DE SÁNCHEZ
Em seu manuscrito, Asens revelou que Sánchez o vetou como ministro no primeiro governo de coalizo por causa de suas convices políticas a favor do direito de decidir e da desjudicializao do conflito catalo, e que foi isso que o ex-líder do Podemos, Pablo Iglesias, lhe disse.
Diante dessa situao, ele explicou que os Comunes decidiram, por "lealdade", priorizar a colaborao para ter um governo em vez do confronto público, um critério que ele apoiou para no provocar descontentamento com o novo e empolgante Executivo.
"No senti isso como um fracasso", disse ele, acrescentando, no entanto, que a justificativa para vetá-lo era "absurda" porque o ex-ministro Manuel Castells tinha as mesmas posies políticas. Depois de algum tempo, no entanto, ele considerou que tinha que dizer "a verdade".
Ele ento expressou sua satisfao ao ver como o PSOE, que via sua tese sobre perdes e anistia como um "anátema", acabou aceitando esse roteiro. "A história provou que estávamos certos", afirmou.
De fato, ele enfatizou que um dos sucessos de seu espao político é que Sánchez e o PSOE aceitaram várias abordagens da esquerda alternativa, quando o presidente chegou a dizer que "no conseguia dormir" com ministros do Unidas Podemos.
"Vemos que o PSOE está muito mais flexível e se emancipou totalmente do PSOE de Felipe González (...) Se voc me perguntar qual é o nosso maior sucesso, eu diria que é Pedro Sánchez e o PSOE, porque conseguimos arrastar o PSOE para as nossas posies", afirmou o deputado, embora essa vitória no tenha se traduzido em resultados eleitorais.
ERREJÓN E MONEDERO
Com relao aos casos de queixas contra Íñigo Errejón e Juan Carlos Monedero, Asens disse que eles "colocaram um espelho incmodo diante de nós", que deve servir para rever atitudes e estar "em guarda", porque a esquerda "no está imune" a comportamentos "sexistas, tóxicos ou inadequados" que so transversais a todas as organizaes.
Em todo caso, ela observou que o "grande sucesso" do feminismo é que eles vieram tona, deixando claro que "há uma desconexo abismal entre a história e o comportamento de certas pessoas". "Temos que estar alertas para que isso no acontea novamente no futuro", declarou.
Com relao a Errejón, que ele discute na última parte de seu livro, ressaltando que conversou com o ex-porta-voz parlamentar, ele disse que Sumar agiu "bem" e "rapidamente".
Ele também ressaltou que Errejón reconheceu atitudes "tóxicas" em relao ao seu cargo e, até certo ponto, foi "corajoso" quando se demitiu, decidiu enfrentar seus problemas e se colocou nas mos de profissionais. No entanto, ele também o critica.
"É verdade que ele poderia ter feito muito melhor. Na carta, ele no pede perdo e há coisas que, evidentemente, ele poderia ter feito de forma diferente, mas acredito que devemos valorizar o fato de que ele foi capaz de assumir a responsabilidade, de assumir os fatos, de no negá-los e de renunciar", refletiu. Nesse capítulo de seu livro, ele afirma que Errejón foi vítima de si mesmo e que sofreu um "linchamento digital", mas que sem compaixo no há ética ou humanidade.
Asens explicou que, quando esses casos ocorrem, a primeira coisa que ele faz é se solidarizar com as supostas vítimas, que merecem o apoio que ele no pde oferecer porque no conhecia os denunciantes. "Ele o conhecia, e quando voc é parceiro de alguém, precisa estar presente nos momentos difíceis e difíceis", disse ele.
Ele também explicou em seu livro que se encontrou com o ex-presidente catalo Jordi Pujol, contra quem apresentou uma queixa criminal, anos depois, quando sua família lhe pediu que o fizesse, e estabeleceu um relacionamento que poderia ser definido como afetuoso.
A CONFIANA DE JUNTS NO PSOE NO FOI RESTAURADA
Com relao a Junts, Asens percebeu que a confiana com o PSOE "no foi restabelecida", algo que ele v no caso de Sumar, e que ele entende que seu líder, Carles Puigdemont, tem "certas reservas" com os socialistas, "basicamente porque o PSOE o tem criminalizado há muitos anos". Portanto, ele previu que, quando essa relao for restabelecida, será mais fácil avanar.
Quanto ao que pensa sobre Puigdemont, que disse que deixaria a linha de frente política se no presidisse a Generalitat, continuando frente do Junts, Asens usou uma citao de Winston Churchill de que a "melhor dieta para um político é comer suas próprias palavras".
Ele também explica em seu livro algo que honra Puigdemont: na primeira negociao que teve com ele sobre a Lei de Anistia, ele disse que estava disposto a "no participar da equao e no voltar Espanha se fosse a contrapartida exigida pelo PSOE". "Ele no foi motivado por interesses pessoais", disse Asens.
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