Publicado 17/06/2026 09:03

Asens insta o governo a levar o regulamento de repatriação ao TJUE por violar direitos fundamentais

Archivo - Arquivo - O eurodeputado do Sumar e líder do partido Comunes, Jaume Asens, durante uma entrevista à Europa Press, em 19 de março de 2025, em Madri (Espanha).
Fernando Sánchez - Europa Press - Arquivo

BARCELONA 17 jun. (EUROPA PRESS) -

O eurodeputado do Comuns, Jaume Asens, instou o governo a interpor um recurso de anulação perante o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) contra o novo regulamento europeu sobre o retorno de nacionais de países terceiros, por considerar que o regulamento suscita “sérias dúvidas” quanto à sua compatibilidade com a Carta dos Direitos Fundamentais da UE e com a jurisprudência europeia.

Em uma carta enviada nesta quarta-feira à Presidência do Governo e aos ministérios competentes, Asens lembra que já havia solicitado, em março, que o Executivo preparasse essa via jurídica, embora na época tenha sido optado por tentar impedir a norma pela “via política” nas instituições comunitárias, informou o Comuns em um comunicado.

O eurodeputado sustenta que a Espanha foi “o único Estado-membro” que expressou formalmente sua oposição ao regulamento e questionou sua legalidade; por isso, considera que agora deve agir com coerência institucional e jurídica e defender perante os tribunais a posição mantida durante o processo legislativo, segundo ele.

No documento, Asens argumenta que o regulamento viola o direito à liberdade e à segurança previsto no artigo 6º da Carta dos Direitos Fundamentais, ao ampliar os casos e a duração da detenção administrativa de migrantes.

Ele considera que a norma compromete o direito à tutela judicial efetiva, reconhecido no artigo 47 da Carta, devido à insuficiência de garantias processuais e de mecanismos efetivos de revisão.

Além disso, alerta para uma possível violação do princípio da não repulsão (“non-refoulement”), previsto no artigo 19 da Carta, ao favorecer a externalização dos retornos para países terceiros que, segundo ele, não garantem uma proteção efetiva dos direitos fundamentais.

AVALIAÇÃO INDIVIDUALIZADA

Asens acrescenta que a aplicação de procedimentos acelerados e mecanismos padronizados de retorno pode minar a exigência de uma avaliação individualizada de cada caso.

Na carta, o eurodeputado destaca ainda que as recentes decisões judiciais na Itália demonstraram o papel dos tribunais europeus como “contrapeso indispensável” diante de determinadas políticas de externalização migratória e ressalta que o modelo promovido pelo governo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, serviu de inspiração para parte das medidas incorporadas ao regulamento.

Por isso, ele exige que o Executivo interponha um recurso de anulação, total ou parcial, com base no artigo 263 do Tratado de Funcionamento da União Europeia, e defende que essa ação representa uma oportunidade para que a Espanha “lidere a defesa judicial do Estado de Direito e dos direitos fundamentais”.

“A batalha política chegou ao fim. Agora começa a batalha judicial”, conclui Asens no comunicado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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