Europa Press/Contacto/Wang Shen
MADRID, 12 abr. (EUROPA PRESS) -
Os Estados Unidos e Israel encerraram sem acordo suas conversas de paz em Islamabad, capital do Paquistão, após uma maratona de negociações diretas sem precedentes desde a Revolução Islâmica, insuficiente para que dois dos maiores antagonistas internacionais por excelência conseguissem, de uma só vez, superar mais de 40 anos de rivalidade, e que volta a deixar no limbo as perspectivas de pôr fim ao conflito iniciado em 28 de fevereiro, agora sob um precário cessar-fogo de futuro incerto.
Quem deu o golpe final foi o chefe da delegação norte-americana, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que se limitou a destacar, ao término do encontro no Hotel Serena, na capital paquistanesa, um único ponto de atrito entre os muitos que separam os dois países: a falta de garantias iranianas no que diz respeito à verificação da natureza pacífica de seu programa nuclear.
“A simples realidade é que precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear e de que não buscarão as ferramentas que lhes permitam obter rapidamente uma arma nuclear”, afirmou Vance, insistindo que esse é o objetivo principal do governo norte-americano. A única boa notícia, segundo Vance, foi o simples fato de se reunirem cara a cara e manterem “essas conversas substanciais” que se prolongaram por quase um dia inteiro.
“Acreditamos que fomos bastante flexíveis e razoáveis. O presidente nos pediu que viéssemos de boa-fé e fizéssemos o máximo esforço para chegar a um acordo, e foi isso que fizemos", indicou ele, antes de confirmar que a delegação americana retorna ao seu país sem acordo e de alertar o Irã de que será a parte mais afetada: "Não chegamos a um acordo, e acredito que isso seja muito mais prejudicial para o Irã do que para os Estados Unidos da América", assinalou.
Vance deixa Islamabad com uma “oferta final”, a “melhor” que o Irã receberá de Washington, aguardando a reação de seu chefe, o presidente Donald Trump, que passou a noite assistindo a uma noite de artes marciais mistas em Miami, acompanhado de seu secretário de Estado, Marco Rubio.
IRÃ CRITICA A FALTA DE TATO DIPLOMÁTICO DOS EUA
A primeira avaliação oficial do Irã partiu do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, que criticou a falta de flexibilidade diplomática de uma delegação norte-americana que esperava, em sua opinião, resolver quarenta anos de divergências e 40 dias de combates de uma só vez.
“Essas negociações ocorreram após 40 dias de guerra imposta e em um clima de desconfiança. É natural que, desde o início, não esperássemos chegar a um acordo em uma única sessão”, explicou Baqaei.
A esse respeito, o ministro das Relações Exteriores e um dos principais negociadores iranianos em Islamabad, Abbas Araqchi, reconheceu no sábado que Teerã abordava essas negociações com total desconfiança, tendo em vista que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra com um “ataque traiçoeiro” em pleno andamento das conversas entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear.
Sem fechar as portas para futuras conversas, Baqaei insistiu que, se quiser resolver este conflito, os Estados Unidos devem demonstrar compreensão. “O sucesso deste processo diplomático depende da seriedade e da boa-fé da contraparte, da abstenção de exigências excessivas e demandas ilegais, e da aceitação dos direitos legítimos e interesses justos do Irã”, acrescentou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático