Publicado 16/03/2026 12:39

As irmãs do falecido em El Torrejón apontam um dos acusados como autor da facada mortal

Julgamento pela morte de um homem durante uma briga em El Torrejón, em 2020.
EUROPA PRESS

HUELVA 16 mar. (EUROPA PRESS) -

Duas das irmãs do falecido em uma briga no bairro de El Torrejón, na capital de Huelva, em 16 de setembro de 2020, apontaram um dos onze acusados como o autor da facada que resultou na morte do homem, além de terem afirmado que essa pessoa “ameaçou” de morte seu irmão naquele mesmo dia, depois que, segundo a versão de ambas, ele exigiu o pagamento de “meio milhão de pesetas” — cerca de 3.000 euros — por problemas causados em sua residência devido a um vazamento no terceiro andar.

Foi o que indicaram em seus depoimentos como testemunhas no segundo dia do julgamento com júri popular que a Terceira Seção do Tribunal Provincial de Huelva vem realizando desde sexta-feira, no qual são julgadas onze pessoas como supostos autores da morte do homem, que na época tinha 48 anos.

As irmãs da vítima afirmaram ter testemunhado a briga que, segundo elas, foi “um verdadeiro carnificina”. Nesse sentido, elas afirmaram que, no dia dos fatos, o suposto autor da facada “ameaçou” o irmão, dizendo que o tinha “na mira” e que iria “reunir toda a sua família” e “matá-lo”. Ambas afirmaram que alertaram a polícia após essas ameaças e antes da briga, mas “chegaram tarde”.

Além disso, identificaram os réus como parte das pessoas que foram buscar seu irmão e participaram dos fatos, uma vez que explicaram que alguns portavam “paus ou tacos de beisebol, canivetes e pedras de calçada” e que impediram que elas pudessem socorrer seu irmão, além de “ameaçá-las” com causar-lhes danos caso tentassem interferir.

Esses foram os primeiros depoimentos do dia, após a leitura das alegações da acusação e da defesa, bem como a apresentação das alegações iniciais das partes.

A esse respeito, o Ministério Público pede, para o principal acusado, 15 anos de prisão por homicídio, enquanto para outras cinco pessoas, pelo mesmo crime, pede-se 13 anos de prisão. Todos eles são considerados coautores e, além disso, é exigido que paguem uma indenização conjunta à mãe da vítima — já falecida — no valor de 54.295 euros e a cada um de seus irmãos o valor de 20.350 euros. Por outro lado, para os outros cinco acusados pelo crime de lesões graves, é solicitada uma pena de quatro anos de prisão.

Por sua vez, a acusação particular que representa a mãe e alguns dos irmãos da vítima solicita 25 anos para cada um dos réus por crime de homicídio, ao considerar que, além disso, houve premeditação e crueldade, uma vez que entende que “há colaboração e autoria conjunta”, assim como as outras duas acusações particulares que representam mais um e cinco irmãos, respectivamente.

“CONTRADIÇÕES NAS DECLARAÇÕES” Por outro lado, a defesa — composta por três advogados — que representa os acusados solicita a absolvição do suposto autor do esfaqueamento mortal, ao considerar que não é possível demonstrar sua autoria, assim como o advogado deste último aponta que “não se sustenta” o que argumenta a família e, durante o depoimento das irmãs, solicitou a inclusão de seus depoimentos no tribunal durante a instrução por “contradições” em relação às suas declarações desta segunda-feira.

A esse respeito, ele destacou que, nas declarações iniciais, elas afirmaram que “não tinham visto” exatamente a zona em que o falecido havia sido esfaqueado ou que a facada havia sido “na barriga” e não na zona em que foi recebida — na região lombar direita, causando morte instantânea ao atingir o coração — como afirmaram nesta segunda-feira no julgamento, uma vez que também considera que há contradições quanto aos objetos que disseram inicialmente estar portando e quem os portava.

Outro dos advogados de defesa sustentou que a investigação e a instrução foram “falhas”, uma vez que não conseguiram determinar quem foi o autor material da facada mortal, tendo sido explicado que ocorreram 27 lesões no corpo da vítima e que “apenas” a facada foi a causa da morte. Da mesma forma, ele aponta que nos fatos “participaram pelo menos 50 pessoas” e que “onze delas foram selecionadas sem critério”. Além disso, dois dos advogados afirmam que o motivo das desavenças decorre do “assédio” da vítima a uma filha de 14 anos do suposto autor material da facada, bem como declararam que a vítima “era problemática” e que, no dia dos fatos, ela se apresentou na casa do principal acusado com “uma faca de grandes dimensões” e feriu com ela dois dos acusados.

Por fim, as irmãs da vítima afirmaram que ela era uma pessoa “querida” no bairro e que o conflito se devia a um vazamento na casa da vizinha do andar de cima do irmão dela, que causou infiltrações na casa dela e na do principal acusado, o qual estava convencido de que o vazamento vinha da residência do falecido, razão pela qual pediu dinheiro para o conserto dos danos.

Por sua vez, um dos irmãos — que encontrou a vítima já no chão após a briga — declarou que foi falar com o principal acusado, com quem seu irmão tinha “um problema”, e com o pai deste, e que, quando chegou, “toda a família estava reunida”, por isso considerou que seu irmão corria perigo e foi alertá-lo para que se fosse embora, pois “quando uma família cigana se reúne inteira, é para que haja um confronto”.

Além disso, ele indicou que, quando chegou ao local, o irmão estava no chão e morreu “em seus braços” e havia “inúmeras” armas brancas, ao mesmo tempo em que negou que houvesse uma faca debaixo do braço da vítima.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado