Ricardo Rocha / Zuma Press / Europa Press
Milhares de pessoas voltam à Praça do Rossio para denunciar a intervenção policial realizada com cassetetes e cães
MADRID, 26 out. (EUROPA PRESS) -
Pelo menos 27 pessoas ficaram feridas após a intervenção das forças policiais no acampamento da Praça do Rossio, em Lisboa, segundo informaram tanto fontes policiais quanto de saúde.
A equipe médica do Hospital de São José teve que atender até 24 pessoas por ferimentos causados pela ação policial, enquanto no Hospital de Santa Maria foram internadas três pessoas com ferimentos leves, conforme informaram à agência Lusa fontes de ambos os centros. A Polícia de Segurança Pública (PSP) também registrou um total de 27 manifestantes feridos após as investidas de seus agentes.
Os fatos ocorreram na madrugada de domingo, quando as forças de segurança utilizaram cassetetes e cães para dispersar os acampamentos pelo direito à moradia em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas se retirassem e as barracas fossem removidas.
Também na principal cidade da região Norte de Portugal, mais precisamente na Praça D. João I, houve intervenções policiais e feridos, embora a PSP tenha informado que apenas seis pessoas foram afetadas, ficando pendente uma atualização dos números.
MANIFESTAÇÕES CONTRA A INTERVENÇÃO POLICIAL
Após a intervenção policial, milhares de pessoas que protestam pelo direito à moradia voltaram a se reunir na Praça do Rossio, em Lisboa, para criticar o que classificaram como o “maior ataque à democracia desde o 25 de abril”, data em que a democracia portuguesa foi restaurada com a derrubada do regime autoritário do Estado Novo — iniciado por António de Oliveira Salazar e continuado por Marcelo Caetano —, que estava no poder há 48 anos.
“O que aconteceu é uma vergonha. Uma tentativa de reprimir aqueles que defendiam o direito à moradia”, afirmou um dos participantes da assembleia popular do acampamento de Lisboa, que teve início na Praça do Rossio por volta das 19h10 (hora local). “A cada golpe responderemos com mais organização, e a cada ameaça com mais solidariedade”, proclamou outro manifestante diante de uma praça quase lotada, que entoava repetidamente “25 de abril para sempre, fascismo nunca mais”.
Lá foi possível observar, mesmo já bem à noite, famílias com bebês e pessoas de várias idades, bem como dezenas de cravos, bandeiras e cartazes que comparavam a PSP à Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), a polícia secreta da ditadura salazarista.
Também compareceram ao Rossio as eurodeputadas Ana Catarina Mendes, do Partido Socialista, e Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, que declarou à imprensa que a atuação policial “era injustificável”. “Este protesto, independentemente do número de denúncias policiais que o governo apresente, não será silenciado”, afirmou.
Também esteve presente a deputada Isabel Mendes Lopes, do partido Livre, que denunciou que “as ações da polícia foram inaceitáveis” e criticou as declarações do ministro do Interior, Luís Neves, que argumentou que as ações da PSP “tinham como objetivo restabelecer a ordem pública”.
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