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MADRID, 20 jun. (EUROPA PRESS) -
La Paz, capital da Bolívia, começou neste sábado a recuperar gradualmente a normalidade após a declaração do estado de exceção, que autoriza as Forças Armadas a apoiar a Polícia e desbloquear as rodovias após 51 dias de protestos.
A Administração Boliviana de Rodovias informou que, às 15h30, havia 34 bloqueios ativos, em comparação com os 40 registrados no início da manhã ou os 47 relatados na sexta-feira.
Na capital e na cidade vizinha de El Alto, os mercados começaram a reabrir e o fluxo de tráfego aumentou, enquanto continuam as operações para desobstruir vias estratégicas, segundo informaram as autoridades.
Além disso, as lixeiras da capital, que estavam cheias há dias devido à impossibilidade de realizar a coleta, foram esvaziadas durante a madrugada por equipes municipais de limpeza.
Em Cochabamba, a Administradora Boliviana de Carreteras (ABC) já deu início aos trabalhos de limpeza e desbloqueio em vários pontos estratégicos, utilizando maquinário pesado e equipes de emergência em locais como Parotani, Epizana, Pojo e nas rodovias que levam ao Vale Alto.
Por sua vez, o ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, destacou o “alívio” e o “apoio da população” às operações de desbloqueio e ressaltou que a Polícia avança em direção à cidade de Oruro sem incidentes.
EVO MORALES, “MAÇÃ PODRE”
Enquanto isso, o ministro de Obras Públicas da Bolívia, Mauricio Zamora, apontou o Chapare como próximo alvo da intervenção das forças de segurança, uma região onde supostamente se encontra o ex-presidente Evo Morales, a quem o governo aponta como responsável pelos protestos.
“No Chapare há gente boa; portanto, é preciso tirar a maçã podre e seguir em frente. O desenvolvimento ocorre onde não há bloqueio”, afirmou Zamora.
“Essa maçã podre tem contas a acertar com a lei. Portanto, não entendo por que os moradores do Chapare estão defendendo alguém que precisa responder perante a lei. Essa maçã podre não traz nenhum benefício para eles; por isso, ela precisa sair do Chapare para que eles também possam voltar à normalidade”, acrescentou.
Morales foi declarado em rebelião e pesa sobre ele um mandado de prisão por tráfico de pessoas devido a uma suposta relação com uma menor de idade quando era presidente.
Os bloqueios foram suspensos em vários pontos com base no decreto de estado de exceção aprovado pelo presidente Rodrigo Paz, cuja renúncia era exigida pelos manifestantes. Agora, a Assembleia Legislativa Plurinacional deverá aprovar o decreto em uma sessão convocada para este mesmo sábado.
“Em vista da extrema gravidade da conjuntura nacional e do caráter excepcional da medida a ser considerada, fica determinado que a presente sessão será realizada presencialmente e com presença obrigatória, sem exceção”, indica o documento de convocação da sessão.
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