Modis Team/Nasa Gsfc / Zuma Press / ContactoPhoto
MADRID, 13 abr. (EUROPA PRESS) -
As Forças Armadas do Irã classificaram nesta segunda-feira como “pirataria” o anúncio dos Estados Unidos sobre um bloqueio ao Estreito de Ormuz, após o fracasso das negociações realizadas no fim de semana no Paquistão para tentar chegar a um acordo de paz, e ressaltaram que a segurança nos portos da região “é para todos ou para ninguém”.
O porta-voz do comando Jatam al Anbiya — o comando de combate unificado das Forças Armadas iranianas —, Ebrahim Zolfaqari, destacou que “a imposição, por parte dos Estados Unidos criminosos, de restrições à circulação de navios em águas internacionais é um ato ilegal que equivale a pirataria”.
“As Forças Armadas do Irã declaram de forma clara e firme que a segurança dos portos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã é para todos ou para ninguém”, disse ele, ao mesmo tempo em que advertiu que “se a segurança dos portos do Irã (...) for ameaçada, nenhum porto no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã estará a salvo”.
Assim, ele ressaltou que “as Forças Armadas do Irã consideram um dever natural e legal defender os direitos legais do país” e acrescentou que “exercer a soberania do Irã sobre as águas territoriais do país é um direito natural da nação iraniana”, conforme divulgado pela emissora de televisão pública iraniana, IRIB.
Zolfaqari destacou que “os navios ligados ao inimigo não têm e não terão o direito de passar pelo Estreito de Ormuz”, enquanto “os demais continuarão recebendo permissão para fazê-lo, algo sempre sujeito às regulamentações das Forças Armadas da República Islâmica do Irã”.
“Dadas as contínuas ameaças por parte do inimigo contra a nação iraniana e a segurança nacional do país, mesmo após o fim da guerra, a República Islâmica do Irã aplicará de forma decidida um mecanismo permanente para controlar o estreito de Ormuz”, reiterou.
Apenas algumas horas antes, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, havia lamentado que, apesar de Teerã ter participado de “boa-fé” nas negociações com os Estados Unidos no Paquistão com o objetivo de “pôr fim à guerra”, seu país tenha se deparado com “mudanças nas regras do jogo” e “um bloqueio” como o anunciado poucas horas antes por Washington contra todos os navios que “entrem ou saiam de portos iranianos”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, após Washington e Teerã encerrarem sem acordo suas conversas de paz em Islamabad, que a Marinha americana imporá, a partir desta segunda-feira, um bloqueio ao estreito de Ormuz e ameaçou interceptar “em águas internacionais” qualquer navio que tenha pago ao Irã para atravessar essa passagem estratégica.
Esse bloqueio, conforme precisou o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM), será aplicado “imparcialmente” contra os navios “de todas as nações que entrarem ou saírem de portos iranianos e zonas costeiras, incluindo todos os portos do Golfo Árabe — em referência ao Golfo Pérsico — e do Golfo de Omã”.
As conversas ocorreram em Islamabad dias depois de os Estados Unidos e o Irã terem acordado um cessar-fogo de duas semanas — posto em dúvida pelos ataques de Israel contra o Líbano — e tinham como objetivo um acordo final para o fim da ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelas forças americanas e israelenses contra território iraniano.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático