President Rashad Al Alimi apaim / Zuma Press / Eu
MADRID 11 set. (EUROPA PRESS) -
As Forças Armadas do Iêmen anunciaram nesta sexta-feira bombardeios contra a costa ocidental e instaram a população civil a evitar a rota entre Taiz, Dhubab e Moca, após a tomada desta e de outras localidades estratégicas ao redor do estreito de Bab el Mandeb pelos houthis.
“A Força Aérea iniciou os bombardeios na zona de ataque previamente anunciada. Pedimos à população civil que evite utilizar a estrada de Taiz a Moca, bem como a de Moca a Dhubab”, afirmou nas redes sociais o porta-voz do Exército do Iêmen, Majed Abdulá al Nuzaily.
O coronel, que exortou os cidadãos a se absterem de circular pelas “estradas proibidas até novo aviso”, também divulgou um mapa, delimitando a zona que as tropas do governo reconhecido internacionalmente pretendem retomar do grupo rebelde.
A insurgência afirmou nesta mesma sexta-feira que a ofensiva lançada na semana passada contra as forças das autoridades iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, foi um “sucesso”, depois que, no dia anterior, elas assumiram o controle de Moca — cujo aeroporto foi alvo de bombardeios sauditas nas últimas horas, segundo a mídia iemenita — e continuassem avançando até tomarem Dhubab e Murad, conquistando assim toda a faixa costeira do Mar Vermelho que ainda não estava sob seu controle.
Seu porta-voz militar, Yahya Sari, comemorou o fato de as forças apoiadas por Riad não terem conseguido impedir os avanços dos houthis, que teriam tomado seis localidades nas províncias de Taiz e Hodeida, “abrangendo uma área total de 5.400 quilômetros quadrados”. Além disso, ele enfatizou que “centenas de soldados” das tropas rivais morreram, ficaram feridos ou foram capturados.
De acordo com informações coletadas pela emissora de televisão catariana Al Jazeera, as forças governamentais foram forçadas a recuar diante da pressão militar dos houthis, que teriam avançado em seguida para as ilhas de Mayun e Zuqar, em Bab el Mandeb, onde os combates continuam, o que representa um duro revés para as autoridades reconhecidas internacionalmente.
O estreito de Bab el Mandeb, que separa a Península Arábica do Chifre da África, tem uma extensão de cerca de 29 quilômetros, portanto, o posicionamento de forças nessa zona do Iêmen permitiria aos houthis — um grupo apoiado pelo Irã, apesar de suas diferenças ideológicas e organizacionais — ameaçar o tráfego marítimo, inclusive com seus recursos de artilharia.
A situação ameaça provocar o colapso total da trégua alcançada em 2022, após anos de guerra e em meio às tentativas mediadas pela Organização das Nações Unidas para alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito iniciado em 2014, que mergulhou o país em uma das crises internacionais mais graves do mundo.
MSF ALERTA PARA NECESSIDADES “AINDA MAIORES” DO QUE ANTES DA ESCALADA
A escalada do conflito em território iemenita e o rápido avanço dos houthis tiveram um “profundo impacto” nas atividades da Médicos Sem Fronteiras (MSF) no país, bem como nas necessidades da população, lamentou o coordenador da ONG em Áden —capital do governo reconhecido internacionalmente—, Lou Cormack.
“Nossas equipes estão presentes em Mocha e arredores desde 2018. Nosso trabalho se concentra em melhorar o acesso aos cuidados de saúde materno-infantis, um salva-vidas para muitas mulheres e crianças em uma região onde o acesso a esses cuidados representa um desafio diário”, destacou ele em um comunicado divulgado pela organização.
Em Moca, precisou ele, equipes da MSF prestam apoio ao Hospital Geral e a dois centros de atendimento materno-infantil localizados fora da cidade, um a leste e outro ao norte.
Essas instalações estão no “limite de sua capacidade”, devido à intensificação dos combates e à chegada gradual de pessoas deslocadas, o que as obrigou a transferir os pacientes em estado crítico para Áden.
A ofensiva dos houthis “mudou radicalmente a situação”, alertou Cormack. “Em questão de horas, os hospitais que prestavam serviços de traumatologia na costa oeste foram evacuados, enquanto um grande número de pessoas fugia de Moca em direção ao sul e a Aden, entre elas profissionais de saúde dos hospitais da cidade”, relatou ele, indicando que a equipe de MSF permanece em Moca, com 30 de seus membros no Hospital Geral.
“Pode não parecer muito, mas o trabalho deles está salvando vidas”, acrescentou diante de uma situação que ele classifica como “extremamente difícil” e “estressante”, com “quase” todos os centros de saúde fora de funcionamento, uma vez que seus funcionários abandonaram a cidade.
O coordenador da ONG alertou que, se as necessidades médicas da população já eram “enormes” antes da última escalada de violência, “agora são ainda maiores”.
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