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Israel é acusado de usar "alimentos, medicamentos e ajuda humanitária como instrumentos de pressão e chantagem política"
MADRID, 20 maio (EUROPA PRESS) -
As autoridades da Faixa de Gaza, controladas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), denunciaram nesta terça-feira uma “diminuição drástica e perigosa” na entrada de ajuda no enclave palestino, que mal ultrapassaria um terço da assistência humanitária básica prevista desde janeiro de 2026 e um quarto no mês de maio, números pelos quais culpam as restrições impostas por Israel.
"Houve uma redução drástica e perigosa no número de caminhões de ajuda humanitária que entram na Faixa de Gaza devido às medidas restritivas impostas pela ocupação", afirmou o Gabinete de Imprensa das autoridades de Gaza em um comunicado divulgado pelo jornal 'Filastín', próximo ao Hamas, onde lamentou “a magnitude dessa diminuição e a persistência da política de restrições e do bloqueio” impostos sobre esse território.
Especificamente, o Gabinete de Imprensa afirmou que Israel “apenas permitiu a entrada de 48.636 caminhões dos 131.400 que deveriam entrar desde o cessar-fogo”, ou seja, um “índice de cumprimento” que mal ultrapassa 37%, “o que significa que mais de 63% da ajuda humanitária básica não entrou desde que o cessar-fogo entrou em vigor”, em outubro de 2025.
Mais grave é a situação registrada neste mês de maio de 2026, quando, conforme detalhado pelas autoridades de Gaza, entre os dias 1 e 18 de maio “apenas entraram 2.719 caminhões dos 10.800 que deveriam entrar, com um índice de cumprimento que se reduziu a apenas 25%”.
“Esta queda confirma, sem sombra de dúvida, que a ocupação está aplicando uma política sistemática que utiliza alimentos, medicamentos e ajuda humanitária como instrumentos de pressão e chantagem política, violando as normas do Direito Internacional Humanitário e causando danos catastróficos à população civil”, acusou o Gabinete de Imprensa.
O aumento da entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza era um dos eixos principais da primeira fase do plano para o enclave esboçado pelos Estados Unidos, e essa denúncia das autoridades de Gaza surge em um momento ambíguo do programa, cujas etapas parecem se sobrepor: embora Washington tenha anunciado em janeiro deste ano o lançamento da segunda etapa, foi somente dois meses depois que o Conselho de Paz para Gaza afirmou que a primeira fase estava “praticamente concluída”.
De fato, o próprio Hamas defendeu, no final de abril, que a exigência de que o grupo inicie seu processo de desarmamento — um dos pontos previstos na referida segunda fase — sem que outros requisitos da primeira etapa tenham sido cumpridos “contradiz” o plano do governo de Donald Trump.
Além disso, essas novas reclamações das autoridades de Gaza sobre a entrada de ajuda humanitária ocorreram no mesmo dia em que Israel confirmou a detenção de um total de 430 participantes da última frota a caminho da Faixa, cuja intenção era romper o bloqueio naval israelense do enclave e levar ajuda humanitária.
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