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MADRID 2 jun. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinián, considerou “politizada” a decisão da Rússia de proibir temporariamente a compra de certos produtos, principalmente agrícolas, provenientes da Armênia, alegando motivos sanitários, embora atualmente exista certa tensão devido à sua possível aproximação com a União Europeia (UE) em detrimento da União Econômica Euro-Asiática (UEEA).
“Acredito que seja uma medida equivocada, pois está gerando rejeição em relação à UEEA”, afirmou Pashinián em entrevista ao jornal russo ‘Izvestia’, divulgada pela Interfax, na qual destacou que essas “restrições” gerarão “uma percepção negativa entre os cidadãos armênios” em relação a esse organismo.
Assim, Pashinian esclareceu que, embora “seja muito importante” seguir os padrões de segurança alimentar da UEEA, essa questão “está sendo politizada” e que a Armênia, no entanto, se abrirá a novos mercados. “Não há mal que não traga bem (...) Já temos propostas concretas”, destacou.
Pashinian ressaltou que os controles estão sendo aprimorados e que o governo se encarregará de ajudar os produtores afetados pelas novas proibições vindas da Rússia. “As exportações aumentarão. Em todos os casos em que existam barreiras injustas, serão implementados programas de apoio”, afirmou.
Esse assunto também foi um dos temas que ele abordou na véspera por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, a quem transmitiu “que o melhor agora é eliminar todas as restrições”, ressaltando que “isso gerará um certo sentimento negativo na Armênia em relação à UEEA”.
No final de maio, a Rússia anunciou a proibição temporária da importação de produtos agrícolas frescos provenientes da Armênia, como tomates, diversos legumes e verduras, frutas como morangos e ovas, bem como certos peixes, até que o país resolvesse determinadas irregularidades detectadas.
A medida surgiu num momento em que a UEEA instou a Armênia a realizar um referendo para escolher entre ela e a União Europeia, uma proposta que já foi descartada por Pashinián, que voltou a explicar que isso não faz sentido, uma vez que o país nem sequer tem status de candidato.
A UEEA — formada por Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão e Quirguistão — emitiu no último fim de semana uma declaração a esse respeito por ocasião da cúpula realizada em Astana, capital do Cazaquistão.
Um texto “muito equilibrado”, avaliou o primeiro-ministro armênio, mas “não faz sentido realizar um referendo”, já que a Armênia, ressaltou ele, ainda não solicitou oficialmente sua adesão plena à UE.
Na véspera desse encontro em Astana, a Rússia também adiantou que se reserva o direito de cancelar seus acordos energéticos com a Armênia caso o país prossiga com seu processo de adesão à UE.
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