O presidente do Azerbaijão critica o Parlamento Europeu por aprovar resoluções "repletas de insultos e mentiras"
BRUXELAS, 4 maio (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinián, considerou “histórica” a participação na cúpula da Comunidade Política Europeia (CPE), realizada nesta segunda-feira na capital de seu país, Yerevan, do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e do vice-presidente da Turquia, Cevdet Yilmaz, num encontro que reúne, pela primeira vez em décadas em solo armênio, representantes dos três países.
Pashinián destacou que é a primeira vez que o presidente azeri participa de um evento realizado em território armênio, embora seja por videoconferência, e lembrou que Yilmaz é também o primeiro alto funcionário da Turquia a visitar a Armênia desde que, em 2024, ambos os países iniciaram um processo para normalizar suas relações diplomáticas.
Ele também aproveitou a abertura da cúpula para fazer um balanço do processo de paz com o Azerbaijão, lembrando que há dois anos os dois países não registram vítimas por confrontos na fronteira, algo que ele qualificou como “sem precedentes desde a independência” do país.
“Agora estamos trabalhando em estreita colaboração com o Azerbaijão para fortalecer e institucionalizar a paz entre nossos dois países. E esta é a primeira vez que o presidente do Azerbaijão participa de um evento realizado na Armênia, mesmo que seja virtualmente. Mas espero ter a oportunidade de visitar o Azerbaijão em 2028 para a décima cúpula da CPE”, prosseguiu durante sua intervenção.
O chefe do governo armênio também destacou que esses avanços com seu país vizinho tiveram início justamente em uma cúpula do CPE em 2022, na qual o presidente da França, Emmanuel Macron, e o então presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, organizaram uma reunião quadripartite em que a Armênia e o Azerbaijão reconheceram mutuamente sua integridade territorial e soberania.
Noutra reunião do CPE, recordou ele, ocorreu também o primeiro encontro bilateral que Pashinián manteve com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que nesta ocasião está sendo representado pelo seu vice-presidente, o primeiro a visitar a Armênia.
“Os presidentes da Macedônia do Norte, da Bósnia e Herzegovina e do Parlamento Europeu, bem como os primeiros-ministros do Reino Unido, da Itália, da Espanha, da Croácia, da Irlanda, de Andorra, da Finlândia, da Estônia, de Luxemburgo, da Noruega, da Eslovênia, do Kosovo e de Liechtenstein também visitam a Armênia pela primeira vez. Esse é mais um motivo para considerar esta cúpula histórica para a Armênia”, acrescentou.
Assim sendo, ele expressou sua vontade de que esta cúpula possa aspirar a se tornar também histórica “para a paz e a estabilidade internacionais”, pelo que desejou aos 48 chefes de Estado e de Governo da Europa e do Canadá que participam dela “sucesso e perseverança para alcançar este objetivo”.
AZERBAIJÃO CRITICA O PARLAMENTO EUROPEU
Aliyev, que participou da cúpula por videoconferência de Baku, afirmou que “a paz entre o Azerbaijão e a Armênia é uma realidade”, apontando como prova disso o fato de ambos os países terem se apoiado mutuamente em suas candidaturas para sediar futuras cúpulas do PACE.
Nesse sentido, ele lembrou que, desde a assinatura da declaração de paz em Washington, em agosto passado, o Azerbaijão suspendeu unilateralmente todas as restrições de trânsito à Armênia impostas na década de 90, permitindo a passagem de 28.000 toneladas de mercadorias por seu território, e começou a exportar produtos petrolíferos para a Armênia pela primeira vez na história, com 12.000 toneladas enviadas até o momento.
No entanto, o líder azerbaijano aproveitou sua intervenção para criticar o Parlamento Europeu, ao qual acusou de “sabotar” o processo de paz ao adotar 14 resoluções “cheias de insultos e mentiras sobre o Azerbaijão” desde 2021.
“Infelizmente, nem todas as instituições europeias demonstram a mesma abordagem. Uma delas é o Parlamento Europeu, e a outra é a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE)”, afirmou, anunciando como resposta que o Parlamento do Azerbaijão decidiu suspender sua cooperação com o Parlamento Europeu em todas as áreas e interromper os trâmites para abandonar a Assembleia Parlamentar Euronest.
COSTA: “É UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO”
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, foi outro dos líderes que interveio no início da reunião da Comunidade Política Europeia, qualificando-a igualmente de “histórica” por se reunir pela primeira vez no Cáucaso Meridional e porque “coloca a Armênia no coração da Europa, que é precisamente onde ela deve estar”.
“É um acontecimento histórico, pois a cúpula de hoje foi possível graças ao acordo entre a Armênia e o Azerbaijão”, opinou o socialista português, que definiu o acordo entre os dois países como “um marco de paz na Europa que merece ser celebrado, em um mundo onde a escalada e a guerra parecem dominar”.
Graças a esse acordo e à melhoria das relações entre a Turquia e a Armênia, segundo Costa, “a região iniciou um caminho transformador” com indústrias estratégicas “mais interconectadas”, gerando “confiança” nos investidores, criando empregos e unindo os países vizinhos “por meio da cooperação prática e do crescimento compartilhado”.
“E a União Europeia está disposta a ser um parceiro confiável para transformar essa visão em realidade”, acrescentou, afirmando que também é “vital fortalecer a democracia armênia” e combater “a ingerência externa” para “garantir a irreversibilidade desse impulso rumo à paz e à prosperidade”.
Dito isso, ele se congratulou pelo fato de que, assim como em cúpulas anteriores, a Comunidade Política Europeia “seja um catalisador para a ação”, como já o foi para reunir apoio à Ucrânia, Moldávia e Armênia e, também, para a criação de uma Coalizão Europeia contra as Drogas.
BRUXELAS CELEBRA O PROGRESSO NA ARMÊNIA
Fontes da União Europeia também destacaram que a participação do Azerbaijão na Comunidade Política Europeia, mesmo que de forma remota, “é muito significativa” e reflete o progresso alcançado desde a assinatura dos acordos de paz entre os dois países no verão passado.
Também destacaram a importância “de uma perspectiva histórica” da participação do vice-presidente da Turquia porque, embora nesta cúpula normalmente não sejam permitidas substituições de líderes que não possam comparecer, neste caso foi feita uma exceção devido ao “contexto único e ao momento histórico” nas relações entre a Armênia e a Turquia.
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