Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
A presidente do Congresso transmite à Rada o apoio “incondicional” da Espanha e denuncia as “atrocidades” russas contra a população
KIEV/MADRID, 12 maio (EUROPA PRESS) -
A presidente do Congresso, Francina Armengol, expressou nesta terça-feira, perante a sala de sessões da Rada Suprema da Ucrânia, o apoio da Espanha à candidatura da Ucrânia à União Europeia e defendeu que, dado que o país “está preparado e cumpre as condições”, “as portas deveriam ser abertas o mais rápido possível”.
Armengol viajou para a Ucrânia acompanhada de membros da Mesa do Congresso, a convite do presidente do Parlamento ucraniano, Ruslan Stefanchuk. A delegação é composta pelas vice-presidentes Esther Gil de Reboleño (Sumar) e Marta González (PP), e pelos secretários Isaura Leal (PSOE), Guillermo Mariscal (PP) e Carmen Navarro (PP).
A visita ao Parlamento ucraniano começou com uma cerimônia de oferta floral em homenagem aos deputados e funcionários da Rada que perderam a vida na guerra. Posteriormente, Armengol assinou o livro de Convidados de Honra da Verjovna Rada e se reuniu com Stefanchuk antes de proferir seu discurso. Esta tarde, ela realizará reuniões com a primeira-ministra, Yulia Sviridenko, e com o presidente da Ucrânia, Volodímir Zelenski.
A UNIDADE DENTRO DA UE “DEVE GUIAR” A AÇÃO
Em sua intervenção, a presidente do Congresso afirmou que comparecer perante a Câmara ucraniana constitui “uma profunda honra”, por se tratar de um “símbolo da soberania democrática da Ucrânia e da expressão legítima da vontade de um povo que decidiu, com coragem e dignidade, defender sua liberdade diante da agressão” russa.
Armengol defendeu que a União Europeia mantém “o forte apoio à Ucrânia” e que “a unidade dentro da UE deve orientar” a ação nos próximos meses. Além disso, ela lembrou que a Espanha é o quarto país com maior diáspora ucraniana sob proteção temporária na União e que, desde o início do conflito, acolheu 345.000 ucranianos e ucranianas.
“A Espanha, como não poderia ser de outra forma, apoia plenamente a candidatura da Ucrânia para aderir à UE”, sublinhou Armengol, que definiu a perspectiva de adesão como “o sinal mais palpável do apoio inabalável da União à liberdade, independência e soberania da Ucrânia”. Por isso, encorajou a Ucrânia a “continuar perseverando” para que essa perspectiva se torne “irreversível”.
“NÃO SE PODEM TOMAR DECISÕES SOBRE A UCRÂNIA SEM ELA”
Da mesma forma, a presidente do Congresso pediu que se continuasse a mobilizar países terceiros para alcançar “um cessar-fogo e uma paz justa e duradoura, em conformidade com o direito internacional”.
“A paz deve ser justa, não uma recompensa ao agressor, já que as fronteiras não podem ser modificadas pela força, e deve ser duradoura, não uma pausa entre duas guerras”, advertiu, antes de acrescentar que “não se podem tomar decisões sobre a Ucrânia sem a Ucrânia” nem realizar debates sobre a segurança da Europa “sem os europeus”.
Armengol apelou a um compromisso “mais uma vez” com a defesa “a todo custo” da Carta das Nações Unidas e dos princípios de independência, soberania e integridade territorial, num momento em que, segundo alertou, o direito internacional “está em causa”.
A representante espanhola destacou que a agressão à Ucrânia “não é apenas um problema da Europa”, mas “uma agressão mundial” contra valores e uma ordem que amparavam os direitos humanos. Além disso, defendeu que a Rússia deverá assumir “a responsabilidade por sua agressão” e destacou que a Espanha trabalha para que a Comissão Internacional de Reclamações e o Tribunal Especial para o Crime de Agressão contra a Ucrânia estejam operacionais “o mais rápido possível”, porque “defender a Ucrânia é, em todo momento, defender a democracia”.
DENÚNCIA DAS “ATROCIDADES” RUSSAS
Armengol transmitiu, em nome da Câmara Baixa e de todo o povo espanhol, “respeito, admiração e solidariedade” à Ucrânia, e ressaltou que o apoio do país ibérico é “total”. “A Espanha tem apoiado a Ucrânia, sem reservas, desde o início deste conflito”, afirmou, antes de lamentar uma “guerra injusta e terrível” que já entrou em seu quinto ano.
A mandatária espanhola denunciou as “atrocidades” cometidas pela Rússia e destacou a “resiliência e resistência” da população ucraniana. Ela também lembrou que esse povo sobreviveu a “um inverno gelado e extremamente rigoroso”, “no escuro, sem gás, sem aquecimento, com as infraestruturas energéticas destruídas e ataques a zonas residenciais”.
Nesse contexto, ela destacou que os ataques e bombardeios russos já causaram a perda de 70% da capacidade elétrica do país e expressou sua “total repulsa” aos últimos ataques indiscriminados da Rússia contra cidades ucranianas, que deixaram “novamente milhares de residentes sem eletricidade”.
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