Publicado 15/09/2026 23:58

A Argentina rejeita o guia britânico para empresas nas Malvinas e anuncia novas medidas

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Lphot Lee Blease / Zuma Press / Europa Press

O Reino Unido afirma que não discutirá sua soberania “a menos que os habitantes assim o desejem” e ressalta que medidas anteriores de Buenos Aires não impediram o desenvolvimento do arquipélago

MADRI, 16 set. (EUROPA PRESS) -

O governo da Argentina expressou nesta terça-feira “sua mais veemente rejeição” à publicação, por parte do Reino Unido, de um guia para fazer negócios nas Ilhas Malvinas —Falkland, em inglês—, por meio da qual acusou Londres de “promover atividades comerciais e de hidrocarbonetos ilegítimas” e anunciou novas medidas contra essas iniciativas, no contexto da escalada diplomática pela soberania do arquipélago administrado pelas autoridades britânicas.

“O Ministério das Relações Exteriores da Argentina manifesta sua mais veemente rejeição à recente publicação do guia britânico ‘Fazendo negócios com as Ilhas Malvinas’, por meio da qual o Reino Unido pretende promover atividades comerciais e de exploração de hidrocarbonetos ilegítimas nas Ilhas Malvinas, nas Ilhas Geórgia do Sul e nas Ilhas Sandwich do Sul, bem como nos espaços marítimos circundantes”, afirmou em um comunicado o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

O comunicado, além disso, ressalta que “a República Argentina reafirma categoricamente que os citados arquipélagos e os correspondentes espaços marítimos e insulares são parte integrante de seu território nacional e estão ilegalmente ocupados pelo Reino Unido”.

NOVAS MEDIDAS CONTRA A EXPLORAÇÃO NAS MALVINAS

Nesse contexto, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina anunciou que, diante dos “contínuos anúncios das concessionárias ilegítimas Rockhopper Exploration Plc (de origem britânica) e Navitas Petroleum Lp (de origem israelense) sobre o projeto ‘Sea Lion’” em águas próximas ao arquipélago, o governo de Javier Milei “está aprofundando um plano de ação integral para defender a soberania argentina e proteger os recursos naturais de todos os argentinos”.

Lembrando ter protestado formalmente contra os avanços desse projeto perante os embaixadores de Israel e do Reino Unido, a diplomacia argentina denunciou que “essas ações unilaterais britânicas violam abertamente a Resolução 31/49 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que insta a República Argentina e o Reino Unido a absterem-se de introduzir modificações unilaterais na situação das ilhas enquanto estiver pendente a solução pacífica da disputa de soberania”.

Além disso, afirmou que o desenvolvimento das atividades dessas empresas poderia gerar “efeitos futuros potencialmente irreversíveis que comprometem recursos não renováveis pertencentes à nação argentina”.

Nesse sentido, o ministério garantiu que “já enviou cerca de 180 notas de advertência e assunção de riscos a pessoas físicas e jurídicas localizadas em 30 países, (e) iniciou 60 processos administrativos”, enquanto o titular do ministério, Pablo Quirno, “apresentou três denúncias criminais que abrangem dez empresas e seus diretores”.

“Nenhuma orientação governamental estrangeira nem decisão comercial privada pode se colocar acima do Direito nacional argentino e do Direito Internacional”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores, antes de lembrar “a todas as empresas e indivíduos que persistirem em estabelecer laços comerciais com as Ilhas Malvinas” sem autorização argentina que o Governo “esgotará todas as instâncias administrativas, diplomáticas, judiciais e institucionais ao seu alcance para defender seus direitos soberanos e garantir que (...) respondam perante a lei”.

No entanto, o Ministério ressaltou que as autoridades argentinas continuam em “disposição permanente para estabelecer um diálogo construtivo e substantivo” com Londres, com o objetivo de “pôr fim à situação colonial anacrônica e resolver a disputa”, conforme indica um comunicado que se encerra com o lema “pela história e pelo direito: as Malvinas são argentinas”.

LONDRES DEFENDE SUA SOBERANIA NO GUIA PARA EMPRESAS

A Argentina respondeu dessa forma ao guia britânico destinado a empresas que desejam realizar atividades nas Ilhas Malvinas, após o presidente Javier Milei ter anunciado, horas antes, que Buenos Aires apresentaria “novas denúncias”.

O guia, especificamente, destaca que “o Governo do Reino Unido apoia toda atividade econômica legítima nas Ilhas Malvinas e acolhe com satisfação o interesse e a participação contínuos do setor privado nas ilhas”.

Nele, Londres destaca que “apoia plenamente o direito dos habitantes das Ilhas Malvinas de regular sua economia e explorar seus recursos naturais, incluindo hidrocarbonetos, para seu próprio benefício econômico” e como “parte integrante de seu direito à autodeterminação”.

Com relação a este último ponto, o governo trabalhista ressaltou que “as Ilhas Malvinas são um território britânico ultramarino” e que “não há dúvidas quanto à soberania do Reino Unido” sobre elas e sobre as áreas marítimas circundantes. “Não discutiremos a soberania, a menos que os habitantes das ilhas assim o desejem”, ressalta.

Paralelamente, e em alusão às medidas das autoridades argentinas, o governo britânico destacou que “as Ilhas Malvinas têm sido administradas de forma pacífica e eficaz pelo Reino Unido desde 1833, salvo por uma breve interrupção em 1982”, em referência à guerra travada pelo governo liderado por Margaret Thatcher contra a Junta Militar então chefiada por Leopoldo Galtieri — que depôs Roberto Eduardo Viola, breve sucessor de Jorge Videla —, que governava a Argentina naquela época.

Atualmente, ressalta o guia, “a Argentina não exerce soberania nem jurisdição sobre as Ilhas Malvinas. A legislação interna argentina não se aplica dentro das Ilhas Malvinas”.

Nesse sentido, o Reino Unido indicou que “reconhece as oportunidades e os benefícios potenciais que a atividade comercial legítima pode gerar tanto para os habitantes das Ilhas Malvinas quanto para as empresas participantes” e destacou que são as autoridades do arquipélago as “responsáveis por regulamentar toda atividade econômica” no seu território.

“A Argentina não tem o direito de exercer jurisdição sobre as Ilhas Malvinas nem de aplicar sua legislação interna nelas, nem em relação a empresas ou particulares que realizem atividades comerciais nas ilhas ou relacionadas a elas”, defendeu o governo de Andy Burnham, que declarou que Buenos Aires já tomou medidas semelhantes no passado e que “elas não impediram que os habitantes das Ilhas Malvinas desenvolvessem uma economia próspera”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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