Publicado 17/07/2026 15:14

A Argentina presta homenagem às vítimas do atentado contra a AMIA em meio a críticas à falta de avanços judiciais

Archivo - Arquivo - 18 de julho de 2019 - Buenos Aires, Argentina - Pessoas participam da comemoração do 25º aniversário do ataque contra a Associação Mutualista Israelita Argentina, que deixou um saldo de 85 mortos.
Europa Press/Contacto/Paula Acunzo - Arquivo

MADRID 17 jul. (EUROPA PRESS) -

A Argentina prestou homenagem nesta sexta-feira às 85 vítimas fatais do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em Buenos Aires, em meio a pedidos para que o inquérito judicial seja reaberto 32 anos após o ataque, sobre o qual sempre pairou a sombra do Irã.

No evento, participaram o presidente da AMIA, Osvaldo Armoza, e familiares das vítimas fatais, com a presença do presidente argentino, Javier Milei, e de colaboradores próximos, como sua irmã Karina, secretária da Presidência.

Em uma mensagem inicial às vítimas, Armoza destacou a “lição de dignidade insuperável” por “caminharem de cabeça erguida, apesar de uma parte de suas vidas ter ficado soterrada bem aqui, sob os escombros”. “Eles não desistiram. Deixaram para nós o legado ético de nunca desistir na busca pelo que é justo”, afirmou.

Nesse sentido, ele criticou a “impunidade” e a falta de respostas do Estado diante do ataque, lamentando a falta de avanços no processo judicial para esclarecer o atentado e condenar os culpados. Segundo ele, essa impunidade constitui um “abismo intolerável para qualquer República que pretenda se intitular democrática”. “Já se passaram mais de três décadas em que o Estado argentino, repleto de negligência, cumplicidade e erros sistemáticos, tem sido incapaz de trazer luz a uma das páginas mais sombrias da nossa história”, sustentou.

Armoza, especificamente, criticou o fato de não ter havido “nenhuma novidade relevante” no último ano, insistindo que o processo está “paralisado, adormecido ou arquivado” em um apelo para que não se continue nos “labirintos burocráticos”.

Assim, ele apontou diretamente o Irã como responsável pelo atentado ocorrido em 1994, referindo-se às “provas acumuladas ao longo dos anos na investigação judicial”. “Por trás do atentado estava o Irã e um de seus braços armados, o grupo terrorista Hezbollah”, afirmou ele sobre a milícia libanesa, insistindo que “não se trata de versões nem de teorias”.

De qualquer forma, diante da presença de Milei, o chefe da AMIA destacou que a postura de seu governo passa por “posicionar-se com firmeza no lado certo da história”, valorizando seu apoio a Israel e a decisão de declarar o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) como organização terrorista.

Milei compareceu pessoalmente à comemoração, na qual não fez nenhuma intervenção, embora tenha tido um breve encontro com Yair Horn, cidadão argentino-israelense libertado após permanecer como refém do Hamas na Faixa de Gaza.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, relembrou a data, após afirmar em uma mensagem nas redes sociais que o ataque à AMIA “marcou para sempre a Argentina”. “Reafirmamos o compromisso do nosso país com a luta contra o terrorismo e com a exigência constante de que os responsáveis sejam levados à Justiça”, disse ele.

Enquanto isso, o embaixador dos Estados Unidos em Buenos Aires, Peter Lamelas, dedicou palavras de homenagem às vítimas do atentado, ressaltando que o ataque “não foi apenas contra a comunidade judaica, mas contra os valores da liberdade, da democracia e da dignidade humana”.

“Os Estados Unidos reafirmam sua solidariedade com o povo argentino e com a comunidade judaica, e renovam seu compromisso de combater o antissemitismo, defender a liberdade religiosa e enfrentar o terrorismo onde quer que ele exista”, destacou. “A memória exige a verdade. A justiça não pode esperar”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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