Publicado 31/03/2026 23:08

A Argentina declara a Guarda Revolucionária como organização terrorista

Archivo - Arquivo - FOTO DE ARQUIVO - 18 de julho de 2024, Argentina, Buenos Aires: Javier Milei, presidente da Argentina, participa de um evento comemorativo 30 anos após o ataque de Bobmen ao centro comunitário judaico AMIA. O atentado à AMIA ocorreu em
---/Presidencia Argentina/dpa - Arquivo

MADRID 1 abr. (EUROPA PRESS) -

A Argentina declarou nesta terça-feira a Guarda Revolucionária iraniana como “organização terrorista”, uma medida que Israel havia solicitado em ocasiões anteriores e que o governo presidido por Javier Milei finalmente adotou, justificando sua decisão com base no papel do partido-milícia xiita libanês Hezbollah nos atentados contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires (1992) e contra a AMIA — Associação Mutual Israelita Argentina — (1994), que, juntos, deixaram mais de cem mortos e cerca de quinhentos feridos.

“A Presidência informa que o Governo Nacional declarou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) como organização terrorista”, anunciou a Presidência em um comunicado no qual destaca que “a Argentina foi vítima de dois dos mais graves atentados terroristas da história, perpetrados na década de 1990 pelo braço operacional do CGRI na região, a organização Hezbollah".

Especificamente, o gabinete de Milei referiu-se a duas datas: "Em 17 de março de 1992, um atentado com carro-bomba destruiu a Embaixada do Estado de Israel em Buenos Aires, causando 29 mortos e mais de 200 feridos. Apenas dois anos depois, em 18 de julho de 1994, um segundo ataque destruiu a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), causando 85 mortos e mais de 300 feridos, constituindo o pior ataque terrorista em solo argentino”, lembrou.

Nesse contexto, indicou que, de acordo com “as investigações judiciais e os trabalhos de inteligência” realizados, “ambos os ataques foram planejados, financiados e executados com a participação direta de altos funcionários do regime iraniano e de agentes da Guarda Revolucionária”.

“Em virtude disso, a Justiça argentina emitiu alertas vermelhos da Interpol contra vários cidadãos iranianos, entre eles o ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi, que foi recentemente nomeado para chefiar o CGRI”, lembrou a Presidência, em alusão à nomeação de Vahidi como comandante da Guarda Revolucionária, em substituição a Mohamad Pakpour, assassinado no segundo dia da ofensiva israelense contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

A decisão do Executivo argentino “baseia-se em relatórios oficiais que comprovam atividades ilícitas de caráter transnacional, incluindo atos de terrorismo em solo argentino”. Sua designação “permite a aplicação de sanções financeiras e restrições operacionais destinadas a limitar sua capacidade de ação no país, ao mesmo tempo em que protege o sistema financeiro argentino de ser utilizado para fins ilícitos”, acrescentou a Casa Rosada.

“O presidente Javier Milei espera que esta decisão salde uma dívida histórica de mais de 30 anos com os familiares das vítimas e reafirma seu compromisso com a luta contra o crime organizado e o terrorismo, mantendo a convicção inabalável de reconhecer os terroristas pelo que são. Este governo está decidido a fazer com que a República Argentina volte a se alinhar à civilização ocidental, ao mesmo tempo em que condena e combate de frente aqueles que querem destruí-la”, conclui o comunicado presidencial.

A designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista, que o ex-ministro das Relações Exteriores de Israel e atual ministro da Defesa, Israel Katz, já havia solicitado à Argentina em abril de 2024, chegou alguns meses depois da designação da Força Quds, apenas alguns dias após ter feito o mesmo com os ramos da organização islâmica Irmãos Muçulmanos no Egito, na Jordânia e no Líbano, e seguindo os passos dos Estados Unidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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