Jin Haoyuan / Xinhua News / Europa Press
Trump afirma que aprovaria o visto de Flávio, mas não sabe onde está o ex-candidato
MADRI, 28 out. (EUROPA PRESS) -
A Direção Nacional de Migrações (DNM) da Argentina confirmou que o ex-candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, e sua família entraram em território argentino na madrugada desta terça-feira pela província de Misiones, de onde, pouco depois, embarcaram em um voo particular com destino à cidade equatoriana de Guayaquil.
De acordo com o comunicado da autoridade de imigração argentina, Flávio Bolsonaro entrou no país às 22h50 (hora local) pelo posto de fronteira da Ponte Internacional Tancredo Neves — que liga a cidade brasileira de Foz do Iguaçu à argentina de Puerto Iguazú — acompanhado por Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro.
As autoridades informaram que a passagem ocorreu “sem incidentes”, já que todos os membros da comitiva apresentaram “documentação válida para viagem, sem qualquer impedimento legal para a entrada no país”. Apenas 40 minutos depois, às 23h30 (hora local), a família embarcou em um voo privado operado pela companhia Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, conforme constava no plano de voo.
A CAMINHO DOS ESTADOS UNIDOS COM VISTOS E A APROVAÇÃO DE TRUMP
Apesar do destino equatoriano registrado no plano de voo partindo da Argentina, o deputado brasileiro Mauricio Marcon, do Partido Liberal, afirmou que o ex-candidato pretendia “exilar-se nos Estados Unidos”, onde buscará “denunciar o regime imposto” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pronunciou nesta quarta-feira sobre a possível chegada do ex-candidato brasileiro ao território norte-americano e se mostrou aberto a recebê-lo. “Eu concordaria, me pareceria bem”, afirmou o presidente ao ser questionado sobre o assunto, admitindo ter conhecimento de sua rota de fuga. “Ouvi dizer que ele estava na Argentina”, afirmou.
Um porta-voz do Departamento de Estado confirmou, em declarações à Europa Press, que o órgão liderado por Marco Rubio “emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá que eles entrem nos Estados Unidos”.
Ao abordar o contexto eleitoral no país sul-americano que levou à fuga de Bolsonaro, Trump garantiu que não tomou partido nas eleições e que conhece “muito bem” tanto o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, quanto a família Bolsonaro.
No entanto, o ocupante da Casa Branca fez críticas ao processo que culminou neste domingo com a reeleição do líder progressista. “O resultado final está bom, mas a forma como chegaram a esse resultado foi terrível”, afirmou.
CERCO JUDICIAL NO BRASIL
A saída de Flávio Bolsonaro ocorre poucas horas depois de a Polícia Federal do Brasil ter cancelado seus passaportes, ao expirar o prazo concedido pelo juiz De Moraes para a entrega dos mesmos, e ter imposto a ele uma proibição de saída do país, no âmbito de uma investigação por suposto lavagem de dinheiro por meio de casas de apostas.
A esse cerco soma-se uma nova ordem do juiz do Supremo Flávio Dino para que seja investigado o suposto financiamento estrangeiro irregular de sua campanha presidencial por parte do “lobby” norte-americano Rockbridge Network — fundado pelo atual vice-presidente daquele país, JD Vance — diante da suspeita de futuras concessões de recursos minerais.
Com sua saída do Brasil, Flávio Bolsonaro segue os passos de seu irmão Eduardo, atualmente foragido da Justiça nos Estados Unidos. O patriarca da família, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre atualmente prisão domiciliar após ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
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