Publicado 05/08/2026 17:01

A Argentina acusa o Brasil de “agravar” a disputa após os insultos de Milei a Lula

Archivo - Arquivo - FOZ DO IGUAÇU, 19 de dezembro de 2025  -- O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, participa da reunião do Conselho do Mercado Comum do Mercosul em Foz do Iguaçu, no Brasil, em 19 de dezembro de 2025.
Europa Press/Contacto/luxiao¡tawola - Arquivo

MADRID 5 ago. (EUROPA PRESS

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, acusou nesta quarta-feira as autoridades brasileiras de “agravar” a disputa entre os dois países, depois que o presidente argentino, Javier Milei, voltou a chamar seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de “ladrão” e “corrupto”, desencadeando uma crise diplomática.

“Trata-se de uma decisão do Brasil de intensificar questões que, para nós, não têm a mesma gravidade e que devem permanecer no âmbito ideológico e político de uma disputa eleitoral em que estamos claramente em lados opostos quanto aos resultados desejados”, afirmou ele em entrevista coletiva.

Quirno evitou pedir desculpas ao presidente brasileiro pelo que considera “uma questão mais de fundo do que de forma”. “A questão de fundo é que temos diferenças ideológicas profundas. A região também está mudando de rumo ideológico. Nós comemoramos isso e esperamos que o mesmo aconteça no Brasil. É um desejo expresso pelo presidente (Milei) - ”, reiterou.

“Em todo confronto, são necessários dois. A Argentina lamenta a decisão unilateral do Brasil. Acreditamos que esse não seja o caminho. Estamos sempre dispostos a manter as relações. Da nossa parte, não haverá nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Argentina.

Quirno, que repreendeu Lula por ter “proferido insultos” contra Milei, criticou o fato de Brasília denunciar tentativas de interferência estrangeira: “É lamentável que se queixem de interferências em processos eleitorais quando Lula visitou (a ex-presidente e ex-candidata) Cristina Kirchner antes das eleições do ano passado e não houve, da nossa parte, nenhum tipo de problema”.

Essas declarações foram feitas depois que o Executivo brasileiro informou ao embaixador da Argentina no país, Guillermo Daniel Raimondi, que ele pode retornar a Buenos Aires, após ter sido convocado pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, em protesto contra os comentários de Milei dirigidos a Lula.

A medida não constitui uma expulsão do embaixador, mas sim um passo prévio a ela. Ou seja, Raimondi não será considerado persona non grata no Brasil e não tem prazo para deixar o país, embora também não seja mais consultado sobre as relações bilaterais daqui em diante, segundo informam meios de comunicação brasileiros, como o jornal “Folha”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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