Publicado 16/02/2026 06:06

O arcebispo, sobre a regularização em massa dos migrantes: "Ordenada, integração real e acolhimento solidário"

O arcebispo de Sevilha, Monsenhor José Ángel Saiz Meneses, na entrevista concedida à Europa Press no Palácio Arcebispal.
EDUARDO BRIONES-EUROPA PRESS

SEVILHA 16 fev. (EUROPA PRESS) - “Uma atitude solidária com a acolhida de migrantes por parte da sociedade; uma integração leal e real desses migrantes e uma migração coerente e com uma certa ordem, no que diz respeito às administrações. São três polos que devem funcionar em uníssono, porque se os separarmos, surgirão o confronto e a polarização”. É nestes termos que se expressa o arcebispo de Sevilha, José Ángel Saiz Meneses, em relação ao futuro Real Decreto de regularização de migrantes que o Governo de Espanha está a preparar e que «garantirá o respeito pelas obrigações adotadas a nível europeu», assegura o Executivo, após o aviso recentemente transmitido por Bruxelas sobre a necessidade de a iniciativa se ajustar ao quadro normativo comunitário.

Em entrevista concedida à Europa Press às vésperas da Quaresma, realizada no Palácio Arcebispal, Monsenhor Saiz Meneses se pronuncia sobre este e outros temas sociais que afetam diretamente a cidade, como a situação vivida nos bairros mais vulneráveis — seis deles entre os 15 de menor renda em todo o país, segundo o INE —, os assentamentos precários — na semana passada foi encerrado o de Reina de los Ángeles, no Polígono Sur — e o drama de dezenas de pessoas sem-teto que dormem ao relento nas ruas do centro, uma situação que se agrava com as sucessivas tempestades que têm assolado a Andaluzia.

Quanto à regularização em massa dos migrantes, o prelado de Sevilha considera que “nossa atitude como cristãos, seja na Europa seja em Sevilha, deve ser de acolhimento: um acolhimento solidário ao irmão necessitado que bate à nossa porta fugindo da miséria, fugindo da guerra”. Por outro lado, os migrantes que chegam “devem ter uma atitude de integração leal e real” na sociedade que os acolhe, de modo que “não podem querer impor seus costumes e tradições”.

Os governos, por sua vez, “devem empenhar-se ao máximo, coordenar-se e trabalhar também para que seja uma migração com certa coerência, com certa ordem e que proteja, justamente, os migrantes, porque se não são vítimas da fome ou da miséria, são vítimas das máfias”. Nesses casos, acrescenta Monsenhor Saiz Meneses, “eles arriscam a vida e às vezes a perdem no oceano, e aqueles que chegam são irregulares, e também está ocorrendo exploração”. “Os governos têm que chegar a um acordo para que sejam salvaguardados os direitos dos migrantes e os direitos das pessoas que os acolhem”. Nesse sentido, “são três funções distintas. Nunca será perfeito, mas acredito que o que não se pode fazer é fixar-se apenas em um polo e considerar os outros como errados”. O arcebispo também mostra sua preocupação com a realidade vivida nos bairros mais desfavorecidos de Sevilha. A Igreja, através da Cáritas, das irmandades, das ONGs católicas e de muitas organizações não governamentais que não são da Igreja, está presente nessas zonas, com iniciativas como o Economato Social, a capacitação dessas pessoas “para que possam ganhar a vida com dignidade” e havia “um terceiro nível, que é a sensibilização e a denúncia”, como refletem os relatórios elaborados a esse respeito por entidades como a Cáritas.

“Todo esse trabalho é feito por nós como terceiro setor, mas depois chegamos a níveis que não podemos alcançar: aí têm que entrar as administrações, também em colaboração e cooperação conosco”, acrescenta, ao mesmo tempo em que destaca que, apesar do interesse de todos, “há situações muito complexas, que não são tão simples”. No entanto, para Monsenhor Saiz Meneses, “nunca podemos perder a esperança”.

A este respeito, o arcebispo lembra que Sevilha, “que tem uma riqueza económica, histórica, artística e cultural transbordante”, também figura nas estatísticas dos bairros mais pobres, e isso “nos atinge a todos todos os anos, aos responsáveis pelas administrações, à Igreja e às instituições civis”. Apesar de tudo, “não podemos desistir e dizer que não há solução. Não, isso seria uma derrota”. Para isso, “temos que continuar lutando, não perder a esperança e ser imaginativos e criativos, e ver como se resolve”, acrescenta.

O DRAMA DAS PESSOAS SEM-TETO O arcebispo de Sevilha referiu-se ao drama das pessoas sem-teto, que dormem ao relento nestes dias de chuvas intensas, sobretudo nas zonas do centro histórico, e afirma que “percebe inquietação e pessoas das paróquias que, à noite, vão levar caldo quente e comida, mas entre todos não conseguimos dar conta de tudo”. Monsenhor Saiz Meneses reconhece que “há cada vez mais sensibilidade e ações concretas”. Da mesma forma, o prelado de Sevilha destaca outro drama social, desta vez como consequência das tempestades, com milhares de afetados, com danos importantes em suas casas ou perdas consideráveis em seus negócios. “Estamos atentos, através da Cáritas nas paróquias, para ajudar no que for necessário e dar uma resposta solidária”. O acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba), no qual perderam a vida 46 pessoas, juntamente com o maquinista sevilhano falecido em Gelida (Barcelona), também esteve na memória do arcebispo durante a entrevista. “A celebração da missa fúnebre na Catedral foi muito sentida, muito profunda”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado