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MADRID 14 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bolívia, Luis Arce, anunciou nesta terça-feira sua decisão de não concorrer às eleições presidenciais programadas para meados de agosto e pediu ao ex-presidente e rival político Evo Morales que faça o mesmo em favor da "mais ampla unidade da esquerda" e contra a "direita fascista".
"Hoje, anuncio ao povo boliviano com absoluta firmeza minha decisão de recusar minha candidatura à seleção presidencial nas eleições de agosto próximo", disse ele em um discurso transmitido pela Bolivia TV.
Arce justificou essa decisão assegurando que "não serei um fator na divisão do voto popular". "Muito menos facilitarei um projeto fascista de direita na presidência", acrescentou, ressaltando que ele "visa destruir o Estado plurinacional (...) retornar ao modelo neoliberal e (...) restringir os direitos conquistados pela classe trabalhadora e pelo movimento indígena e camponês nativo".
Da sede do Executivo boliviano na capital do país, La Paz, ele destacou que "não pode ser nosso destino dividir, lutar e ser derrotado (...) para abrir caminho para o fascismo e a direita e a estratégia imperialista de dividir o campo popular". "Eu me recuso categoricamente", afirmou.
Nesse sentido, Arce instou o ex-presidente Evo Morales a fazer o mesmo. "Daqui eu desafio o ex-presidente Evo Morales a não insistir em ser candidato à presidência, primeiro, porque constitucionalmente ele não pode ser, e segundo, porque a dispersão e a fragmentação do voto só favoreceriam a direita", disse ele.
Ele também pediu ao presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, que há mais de uma semana anunciou sua candidatura para as eleições marcadas para 17 de agosto, que se junte à busca pela "mais ampla unidade da esquerda" e "cerre fileiras para o candidato que tem a melhor chance de derrotar os saqueadores da Bolívia".
"Sempre, e repito, sempre, o mais importante será o projeto político, mais do que qualquer indivíduo, por mais importante que seja um líder ou dirigente, não podemos colocar em risco o futuro e o bem-estar do povo por apetites individuais", assegurou.
O Movimento ao Socialismo (MAS), partido governista da Bolívia, indicou Arce como seu candidato para as eleições presidenciais no final de abril, uma votação marcada por uma grande reviravolta política e uma luta fratricida dentro do MAS, do qual Morales não faz mais parte e que, apesar de sua desqualificação, anunciou sua intenção de concorrer com seu novo partido, Evo Pueblo.
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