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MADRID, 4 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bolívia, Luis Arce, acusou o ex-presidente Evo Morales de "cercar cidades e impedir a passagem de alimentos" depois de ordenar o bloqueio de estradas para concorrer às eleições presidenciais programadas para agosto, apesar de ter sido desqualificado "pela força".
"Que fique claro: seu objetivo não é outro senão sua candidatura inconstitucional e, para isso, ele está preparado para cercar cidades e impedir a passagem de alimentos, como fez antes. E, se sua desqualificação for ratificada, ele pretende impedir a realização das eleições gerais de 17 de agosto. Como dizem seus porta-vozes: 'sem Evo não haverá eleições'", denunciou em sua conta na rede social X.
O presidente boliviano garantiu que Morales está pedindo "(sua) renúncia" e a do governo para "permitir sua candidatura pela força". "Evo Morales disse publicamente e em um tom ameaçador, além disso, que ele será candidato: 'por bem ou por mal'. Em outras palavras, ele quer forçar a população e as autoridades competentes a violar a Constituição e as decisões existentes que o impedem de ser reeleito novamente", disse ele.
Para isso, o ex-presidente ordenou "um bloqueio de estradas para cortar as comunicações entre as regiões e impedir a passagem de gêneros alimentícios, a livre circulação de pessoas e impedir a normalização do abastecimento de combustível, prejudicando a economia de toda a população".
Nesse sentido, Arce denunciou que Morales "está disposto a levar nosso país ao confronto entre irmãos e irmãs, à violência generalizada, ao derramamento de sangue e à ruptura da ordem constitucional por causa de suas ambições doentias pelo poder".
O Ministro do Governo, Roberto Ríos, disse horas depois que o bloqueio mais violento ocorreu na cidade de Cochabamba, onde os partidários de Morales emboscaram um contingente policial que tentava desobstruir as estradas, ferindo pelo menos treze policiais, sequestrando outro e apreendendo material explosivo.
Quinze pessoas foram presas na mesma localidade, de acordo com Ríos em uma coletiva de imprensa relatada pelo jornal 'El Deber', na qual ele não descartou a possibilidade de solicitar a intervenção do exército se a situação piorar. "Temos reuniões constantes com o Ministério da Defesa. As forças armadas estão prontas para agir, se necessário", garantiu o ministro.
Os partidários de Morales também bloquearam estradas nas cidades de Santa Cruz e Sucre e ameaçaram manter essas medidas de pressão contra o governo - que eles acusam de ser responsável pela falta de alimentos e combustível - até que ele "renuncie".
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