Teerã questiona Amã sobre “quanto tempo” deveria ter esperado para “responder a um agressor” após o início dos ataques
MADRI, 4 set. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou nesta sexta-feira seu homólogo da Jordânia, Ayman Safadi, por suas críticas à resposta do Irã à ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o país asiático, em pleno andamento das negociações entre Washington e Teerã para tentar chegar a um novo acordo nuclear.
Safadi condenou na quinta-feira os ataques iranianos contra a Jordânia e outros países do Oriente Médio em resposta aos ataques norte-americanos e argumentou que eles foram lançados “apenas algumas horas depois” do início da guerra, apesar de Amã e outros países terem tentado evitar o conflito.
Em resposta, Araqchi questionou nas redes sociais “quanto tempo o ministro das Relações Exteriores da Jordânia considera que o Irã deve esperar antes de responder a um agressor que ignora a soberania árabe e iraniana”. “Ele realmente não sabe que o espaço aéreo, o território e as águas árabes foram utilizados nos ataques iniciais dos Estados Unidos que mataram iranianos inocentes?”, questionou.
O chefe da diplomacia jordaniana ressaltou na quinta-feira, na capital da Áustria, Viena, que os Estados Unidos são um parceiro da Jordânia e lembrou que a presença de tropas americanas no país é regida por um acordo de cooperação entre os dois países, em resposta aos ataques de Teerã contra bases e às exigências de que essas forças deixem o Oriente Médio.
Além disso, Safadi enfatizou que Amã deseja manter boas relações diplomáticas com Teerã, embora tenha insistido que, para isso, é necessário abordar as causas da tensão na região, incluindo o suposto apoio do Irã ao tráfico de armas e drogas para o país, conforme relata o jornal “The Jordan Times”.
Por outro lado, o governo do Irã destacou ao longo do dia que o governo do Catar reconheceu recentemente, em um comunicado enviado à União Internacional de Telecomunicações (UIT), que Teerã ataca apenas instalações militares americanas no país.
“O governo do Catar confirmou, em um documento oficial apresentado à ITU, que os ataques defensivos do Irã contra as forças americanas estacionadas em território catariano ‘foram direcionados contra instalações militares americanas’”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.
Baqaei publicou nas redes sociais o documento enviado por Doha, que indica que, durante a resposta do Irã, “não foram atacadas áreas civis”, com exceção de um ataque contra uma instalação de gás em 18 de março. “É preciso lembrar, no entanto, que as instalações atingidas naquele dia apoiavam a agressão militar dos Estados Unidos contra o Irã”, afirmou o porta-voz iraniano.
“Isso contrasta fortemente com o longo histórico de ataques deliberados dos Estados Unidos contra alvos civis: escolas, hospitais, bairros residenciais, casamentos, pontes e outros”, denunciou. “Há uma enorme diferença entre uma nação civilizada que aprendeu a importância de respeitar os princípios morais e humanitários, mesmo nas circunstâncias mais adversas, e governantes belicistas que não respeitam o Estado de Direito nem a ética no exercício do poder”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático