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MADRID 21 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou nesta sexta-feira que Teerã está disposta a permitir a passagem de navios japoneses pelo estreito de Ormuz, após consultas entre autoridades de ambos os países, no contexto dos ataques do Irã a navios nessa passagem estratégica em retaliação à ofensiva surpresa dos Estados Unidos e de Israel contra território iraniano no último dia 28 de fevereiro.
“Não fechamos o estreito. Ele está aberto”, destacou Araqchi em entrevista por telefone à agência de notícias japonesa Kyodo, antes de sinalizar que o Irã está disposto a garantir a passagem segura a países como o Japão, desde que estes se coordenem com Teerã.
O ministro das Relações Exteriores iraniano insistiu que a resposta de Teerã à “agressão ilegal e não provocada” dos Estados Unidos e de Israel constitui um ato de legítima defesa e, como tal, será mantida pelo “tempo que for necessário”.
Isso não impedirá, no entanto, a oferta de “assistência a outros” em meio a uma crescente preocupação com a segurança, precisou Araqchi, que afirmou que a navegação de embarcações japonesas pelo estreito tem sido tema de conversa em seus recentes contatos com seu homólogo japonês, Toshimitsu Motegi. A esse respeito, ele afirmou que a comunicação entre os dois ministérios se mantém, embora não seja possível revelar detalhes sobre suas trocas.
Em um contexto em que o governo persa tem apelado reiteradamente à comunidade internacional — incluindo o Japão — para que condene os ataques perpetrados contra a República Islâmica no âmbito da operação “Fúria Épica”, o representante da diplomacia iraniana agradeceu a posição tradicionalmente “equilibrada e justa” de Tóquio, bem como suas relações “amigáveis de longa data” com o Irã.
Em uma viagem a Washington no início desta semana, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, colocou em discussão os limites legais da participação do Japão nos esforços para “reabrir” o Estreito de Ormuz, conforme solicitado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, ela destacou pontos de acordo, como o compromisso de importar mais petróleo dos Estados Unidos e de cooperar no desenvolvimento de mísseis, segundo informou a agência de notícias Bloomberg.
Suas palavras foram proferidas poucas horas depois de Trump ter se resignado a não obter o apoio desejado de seus parceiros em relação ao estreito de Ormuz, uma medida com a qual ele busca enfrentar o aumento dos preços do petróleo decorrente da ofensiva que ele próprio lançou junto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Na quarta-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos “não precisam da ajuda de ninguém” e criticou a atitude dos membros da OTAN — que considera estarem cometendo um “erro muito estúpido” —, além do Japão, da China e da Coreia do Sul, que até então haviam recusado o envio de navios.
No entanto, nesta quinta-feira, o Japão se juntou a cinco das principais potências europeias — Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Países Baixos — para manifestar sua disposição de “contribuir com os esforços” para garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz, em plena polêmica pela recusa desses países em aderir à missão naval proposta por Trump, que chamou de “covardes” os países que se recusaram a apoiar uma “simples manobra militar” no estreito de Ormuz.
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