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Critica as posições “contraditórias” de Washington e garante que Teerã está “preparada para a guerra e a paz” MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, advertiu nesta quarta-feira, em um encontro com seu homólogo omanense, Badr bin Hamad al Busaidi, ao chegar a Genebra, que o sucesso das negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear requer a “seriedade” de Washington, e não “posições contraditórias”.
“Embora tenha apreciado os esforços do ministro das Relações Exteriores de Omã para ajudar a avançar no atual processo diplomático, o ministro (Araqchi) considerou que o sucesso das conversações requer a seriedade da outra parte e que se evitem comportamentos e posições contraditórias”, disse o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, que acompanha a comitiva iraniana na cidade suíça.
Na reunião, realizada nas últimas horas desta quarta-feira, “foram explicadas as opiniões da República Islâmica sobre as questões nucleares e o levantamento das sanções e (...) os pontos e considerações do nosso país”, apontou em uma mensagem divulgada em suas redes sociais.
Horas antes, o ministro Araqchi assegurou que em Teerã “estamos prontos, totalmente preparados para ambas as opções: a guerra e a paz”, destacando que na última rodada de conversações, também realizada em Genebra, as duas partes alcançaram “alguns avanços, um certo entendimento, que podemos aproveitar para chegar a um acordo”.
Ele disse isso em uma entrevista concedida à rede India Today, quando questionado sobre as declarações feitas na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que em seu discurso sobre o Estado da União afirmou que as autoridades do país centro-asiático estão “perseguindo novamente suas sinistras ambições” em matéria nuclear.
“Eles já desenvolveram mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e estão trabalhando para construir mísseis que em breve chegarão aos Estados Unidos”, alertou durante sua aparição perante as duas câmaras do Congresso.
Por sua vez, o secretário de Estado, Marco Rubio, insistiu nesta quarta-feira nas acusações de Trump, afirmando que, embora as autoridades iranianas “não estejam enriquecendo urânio neste momento, estão tentando chegar ao ponto em que finalmente possam fazê-lo”.
Além disso, em declarações à imprensa em Saint Kitts e Nevis, ele quis enfatizar que “o Irã possui vários mísseis balísticos, em particular de curto alcance, que ameaçam os Estados Unidos, nossas bases na região, nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein; e também possuem ativos navais que ameaçam o transporte marítimo e tentam ameaçar a Marinha dos Estados Unidos”.
Essas declarações foram feitas às vésperas de uma nova rodada de contatos na Suíça, na qual se espera a participação do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e do ex-assessor da Casa Branca e genro de Trump, Jared Kushner.
Washington aumentou nas últimas semanas seu destacamento militar no Oriente Médio, em meio às ameaças de Trump, que chegam mesmo apesar de ambos os países já terem iniciado negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano.
Trump, que inicialmente ameaçou com uma intervenção militar devido à repressão dos últimos protestos no Irã, passou posteriormente a enquadrar suas advertências no programa nuclear iraniano, enquanto Teerã afirma que ele tem apenas fins pacíficos e que sofreu um duro golpe com os bombardeios israelenses e americanos em junho de 2025, que deixaram mais de 1.100 mortos no país asiático.
Até o momento, Teerã tem demonstrado desconfiança em reabrir as negociações com Washington devido à referida ofensiva, uma vez que ela ocorreu em meio a um processo diplomático entre o Irã e os Estados Unidos para chegar a um novo acordo nuclear, depois que o acordo assinado em 2015 ficou sem conteúdo após a retirada unilateral do país norte-americano em 2018 por decisão do próprio Trump.
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