Publicado 21/07/2026 04:33

A Arábia Saudita rejeita as acusações dos houthis sobre um “cerco” ao Iêmen e atribui a crise aos rebeldes

Riade promete medidas para responder a qualquer ataque contra a navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab el Mandeb

Archivo - Arquivo - Um membro das forças rebeldes houthis na capital do Iêmen, Sanaa (arquivo)
Osamah Yahya/dpa - Arquivo

MADRID, 21 jul. (EUROPA PRESS) -

O governo da Arábia Saudita rejeitou as acusações feitas pelos houthis contra Riade por um suposto “cerco” ao Iêmen e destacou que as autoridades sauditas “buscam alcançar a paz no Iêmen e pôr fim ao sofrimento do povo irmão iemenita”, em meio ao recrudescimento das tensões, incluindo ataques nos últimos dias contra aeroportos em ambos os países.

O Ministério das Relações Exteriores saudita expressou sua “firme condenação” às acusações dos houthis e destacou que Riade “trabalhou nos últimos anos com o governo legítimo do Iêmen para aliviar o sofrimento do povo irmão iemenita por meio da continuidade de projetos de desenvolvimento, do apoio aos orçamentos do governo iemenita e do fornecimento de derivados de petróleo para a operação de usinas de energia elétrica”.

Além disso, destacou que vários portos do Iêmen “receberam mais de 300 navios que transportavam alimentos, combustível e materiais de construção durante o primeiro semestre de 2026”, período em que se manteve em vigor uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que “proíbe a entrada de armas e munições que os houthis tentam contrabandear por todas as vias possíveis para prolongar seu controle sobre os recursos do povo iemenita”.

O ministério acusou os rebeldes de “ataques generalizados” contra instalações civis nos últimos anos, incluindo ataques “durante a trégua” para prejudicar as capacidades das autoridades reconhecidas internacionalmente, de acordo com um comunicado publicado nas redes sociais.

“Além disso, a milícia huti arrastou o Iêmen para um conflito regional e atacou navios comerciais no Mar Vermelho”, afirmou, em referência aos ataques dos rebeldes contra navios que acusam de terem laços com Israel, em resposta à ofensiva contra Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023.

Nesse sentido, Riade destacou que os huti “rejeitaram todas as iniciativas para retomar os voos a partir do aeroporto de Sanaa” e “continuaram cometendo violações humanitárias contra cidadãos iemenitas”. “Agora, a milícia tenta desviar a responsabilidade pelos problemas econômicos e pelo crescente descontentamento popular apresentando acusações falsas”, argumentou.

O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita argumentou que, até o momento, tem “apoiado os esforços da ONU para alcançar a paz no Iêmen” e acusou os rebeldes de não aceitarem a proposta que está em discussão e de “se intrometerem no conflito regional em apoio a uma agenda e objetivos sinistros, exacerbando o sofrimento dos cidadãos iemenitas nas áreas sob seu controle”.

MEDIDAS PARA PROTEGER A NAVEGAÇÃO

Assim, o ministério enfatizou que “adotará todas as medidas necessárias para proteger seus navios” diante do anúncio dos houthis sobre um bloqueio naval ao país e exigiu que a comunidade internacional “cumpra suas responsabilidades” no que diz respeito aos “direitos e à liberdade de navegação no Mar Vermelho”, após as citadas ameaças dos rebeldes iemenitas.

Nessa linha, o porta-voz da coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita em apoio às autoridades reconhecidas internacionalmente, Turki al Malki, destacou que essas forças agirão para “proteger os navios que transitam pelo estreito de Bab el Mandeb”, conforme informou a agência de notícias estatal saudita, SPA.

“As alegações sobre o fechamento de portos e aeroportos iemenitas são fruto de falácias e da escalada da violência por parte dos houthis contra o governo do Iêmen e os países vizinhos. Essa narrativa do bloqueio huti é falsa”, afirmou ele, antes de aprofundar que os huti “são responsáveis pelo fechamento do Aeroporto Internacional de Sanaa, pela destruição da frota da Yemenia Airways e pela rejeição de todas as iniciativas para retomar os voos de e para esse aeroporto”.

Por isso, ele revelou a implementação de “medidas de proteção” para os navios que transitam pelo referido estreito e ressaltou que “todas as ameaças dos huti contra os navios em trânsito serão respondidas com rapidez e firmeza, uma vez que constituem uma violação flagrante do Direito Internacional e fazem parte de atos de pirataria marítima”.

O ANÚNCIO DOS HUTIS

O porta-voz militar dos hutis, Yahya Sari, anunciou na segunda-feira a imposição de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em resposta ao contínuo “cerco” de Riade, dias após um ataque ao aeroporto de Sanaa — reivindicado pelo governo reconhecido internacionalmente — e o subsequente bombardeio em retaliação contra as instalações aeroportuárias sauditas de Abha.

Assim, ele explicou que o “embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso” será aplicado “com efeito imediato” com base no princípio do “olho por olho”, antes de defender o direito do povo iemenita “de responder ao bloqueio com outro bloqueio e de responder a toda escalada com uma escalada equivalente”.

“O inimigo criminoso saudita mantém, há quase doze anos, um cerco injusto e opressivo contra nosso querido povo, saqueando nossos recursos e impondo um bloqueio total aos nossos portos e aeroportos por terra, mar e ar”, destacou Sari, acrescentando que essa situação tem causado um sofrimento “inaceitável” à população, atingindo “níveis insuportáveis” que não têm “nenhuma justificativa”.

Os houthis controlam, desde 2014, a capital do Iêmen e outras regiões do norte e do oeste do país, enquanto o governo reconhecido internacionalmente tem sua sede na cidade de Áden, no sul do país.

O recrudescimento das tensões ocorreu depois que as autoridades iemenitas e os houthis se acusaram mutuamente de atrasar uma troca de mais de 1.700 prisioneiros, conforme o acordo alcançado por meio da mediação das Nações Unidas, no que seria o maior processo de libertação de prisioneiros desde o início da guerra em 2015, que mergulhou o país em uma das maiores crises humanitárias do mundo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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