Publicado 29/05/2025 07:14

Apoiadores de Morales na Bolívia ameaçam novos protestos e bloqueios para ganhar sua candidatura

Archivo - Arquivo - Evo Morales, ex-presidente da Bolívia
Radoslaw Czajkowski/dpa - Arquivo

O governo pede o fim das mobilizações e que se evitem atitudes "violentas".

MADRID, 29 maio (EUROPA PRESS) -

Organizações e seguidores do ex-presidente boliviano Evo Morales voltaram a ameaçar com bloqueios e protestos para que sua candidatura às eleições presidenciais de agosto seja aceita e para exigir a renúncia do atual chefe de Estado, Luis Arce, a quem acusam de ter provocado a ruptura do Movimento ao Socialismo (MAS).

Essas declarações foram feitas logo após os protestos convocados anteriormente terem sido reprimidos pelas forças de segurança, que recorreram ao uso de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que tentaram chegar à praça Murillo, na cidade de La Paz.

"Se não nos deixarem participar (das eleições), seremos obrigados a tomar as estradas, a continuar nos mobilizando nas ruas, por mais que enviem a polícia para nos gasear, para nos reprimir, não vão nos derrotar", disse a vice-presidente da organização política Evo Pueblo, Elizabeth Paco.

O líder camponês Vicente Choque, por sua vez, pediu a "unidade" de todos os setores pró-Evo que apoiam o ex-presidente para continuar com seu "estado de emergência" e as "marchas" contra o governo.

"Sabemos perfeitamente que a polícia só tem gasolina suficiente para três ou quatro dias, e vamos continuar com essa luta amanhã, depois de amanhã, até que Luis Arce renuncie", afirmou, enquanto outras vozes críticas ao presidente afirmam que as manifestações são uma resposta à falta de soluções para a escassez de combustível e a crise alimentar que a Bolívia está enfrentando.

Já foram registrados bloqueios esporádicos de estradas em algumas partes do país, embora a maioria tenha sido rapidamente suspensa, de acordo com relatos do jornal boliviano 'Los Tiempos'.

O vice-ministro do Interior, Jhonny Aguilera, pediu aos partidários de Morales que parassem com as manifestações e evitassem esse tipo de atitude "violenta", lembrando que os bloqueios "só causarão danos econômicos".

"Peço àqueles que hoje estão sitiando a praça Abaroa e tentaram tomar nossa praça Murillo que parem com esse comportamento, reflitam e embarquem no estado de direito em que vivemos", disse ela.

CRISE POLÍTICA

A Bolívia está mergulhada em uma crise interna como resultado de disputas entre Evo Morales e os Arcistas do MAS. Essas diferenças se agravaram a ponto de levar o próprio presidente a acusar Morales de tentar dar um "golpe de Estado" no país com sua convocação para manifestações, apesar de o Tribunal Constitucional ter endossado a desqualificação do ex-presidente - conforme indicado na Carta Magna que ele mesmo promulgou - que não pode se candidatar novamente.

Apesar dessa decisão judicial e do fato de já ter sido presidente por três mandatos consecutivos, Morales tentou se candidatar de várias maneiras, todas sem sucesso até agora.

Ainda nesta semana, o Partido Nacional Boliviano (Pan-Bol) foi impedido pelos tribunais de registrar seus candidatos para as eleições porque o partido estava fora do prazo e havia obtido menos de 3% dos votos nas eleições anteriores.

Anteriormente, as autoridades eleitorais determinaram que sua formação Evo Pueblo "não existe", impedindo também sua candidatura, depois que a Frente para la Victoria (FPV) ficará de fora, pois perdeu seu status legal por não ter ultrapassado o limite da lei eleitoral para as eleições de 2020.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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